Tribuna do Leitor

Coisas da vida, coisas do futebol


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O futebol é mesmo sensacional. Apaixonante, vibrante e todos outros adjetivos que conhecemos para o esporte. Mas, além disso, e talvez aí esteja tamanha popularidade do esporte, ele se parece muito com a vida, com o cotidiano. Efêmero e intenso, o futebol constrói e destrói, cria e tira chances, as quais muitas vezes são aproveitadas ou não.

Se em 2002 Ronaldo era um verdadeiro mito, a cara do futebol e do povo brasileiro, querido por todos e tido como um dos grandes jogadores de todos os tempos, hoje o Fenômeno já não está com toda essa pose.

Após a fracassada campanha com a Seleção Brasileira em 2006, os freqüentes casos amorosos complicados e sempre acima do peso, o carioca voltou para o futebol italiano em busca da ressurreição. Não conseguiu. Pior ainda. Acabou se machucando gravemente novamente, a terceira vez na carreira, e se envolveu em mais um escândalo, dessa vez com um travesti.

Outro que expressa bem essa dinâmica pendular do esporte bretão é Ronaldinho Gaúcho, que foi duas vezes seguidas eleito melhor jogador de futebol do mundo, e depois do último mundial entrou em decadência profunda. No Barcelona era tido como grande ídolo, invendável e ovacionado. Hoje, vive verdadeira guerra com o clube catalão, tentar ser negociado e faz de tudo para conquistar uma liberação para as Olimpíadas.

Antes craque, absoluto, Ronaldinho virou uma lembrança, ao menos para os dirigentes do Barça, que sequer o chamaram para o lançamento da camisa da temporada 2008/2009 que o time vai usar. Estão acabados para o futebol? Difícil afirmar qualquer coisa. Ronaldinho Gaúcho ainda é jovem, tem uma qualidade inestimável e provavelmente deve seguir em algum grande clube do futebol europeu. Já, Ronaldo gera mais dúvidas, principalmente pela idade e pela incógnita gerada por sua lesão. Mas, o atleta já superou todos os prognósticos no ano do penta e calou muitos que o tinham em final de carreira.

Um exemplo ainda mais próximo dessa situação de estar por cima e por baixo é o do goleiro Felipe. No final de 2007 o camisa 1 era um dos poucos poupados pela torcida do Corinthians.

Tido como o mais novo ídolo do Timão após a saída de Carlitos Tevez, que ergueu o último título do clube, Felipe se destacava a cada jogo, mesmo quando não evitava as derrotas e mesmo sem conseguir salvar o time do rebaixamento. Seis meses depois, e tudo mudou. Felipe passou a ser contestado pela torcida, virou alvo de críticas e pichações no Parque São Jorge. Para “coroar” o mau momento, o goleiro falhou na final da Copa do Brasil, em que o alvinegro perdeu o título para o Sport, e na seqüência foi barrado pelo técnico Mano Menezes.

Mas, depois de três jogos fora, Felipe voltou como titular ao gol corintiano. Fez uma boa partida diante do São Caetano, vencida por 1 a 0. E, logo depois, diante do Marília, o atleta pegou um pênalti e já começa a voltar para as graças da fiel.

São situações, momentos que fazem do futebol algo tão diferente, tão popular. Mexendo com emoção, o ídolo de hoje vira o vilão de amanhã. Mas, nada impede que o jogador que está por baixo dê a volta por cima, assim como na vida, que vivemos a cada dia. Ela e o futebol continuam. “Por isso que digo que o futebol vive de eternidade e por isso não acaba nunca, não acabará nunca”: Nelson Rodrigues.

Bernardo Sanches - RG 44.240791-9

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