Polícia

Noiva de PM nega discussão e afirma que soldado atirou em legítima defesa

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A noiva do policial militar Halley Thiago Sossai afirmou ao Jornal da Cidade que não houve discussão entre ele e Luís Gustavo dos Santos Carreira, o que teria culminado com a perseguição e morte de Carreira. Ela disse que Sossai só continuou atrás do outro soldado porque teria sido orientado pelo Copom. De acordo com ela, os PMs só discutiram ao chegarem em frente à residência da vítima, local onde ocorreu o fato.

No relato fornecido ao JC, a noiva do PM, que preferiu não divulgar o nome, destacou que Halley Sossai, ela e mais uma amiga retornavam de Agudos quando depararam-se com o veículo de Carreira ziguezagueando pela pista. “Ele ia de um lado para o outro, dava seta e não ia, chegou a sair duas vezes da pista e retornar”, contou.

Ainda segundo o relato da noiva de Sossai, vendo o rapaz dirigir daquela maneira, ele acionou o 190, se identificou como policial, informou onde estavam e pediu para que fosse feita alguma abordagem, que alguma viatura tentasse parar porque o rapaz (Carreira) não estava bem. “Pediram para ele ligar na base da Marechal Rondon, ele entrou em contato com a base, se identificou novamente, perguntaram que carro ele estava, ele informou. Pediram para ele a placa do carro do rapaz, ele conseguiu acelerar um pouco mais e pegar a placa, passou os dados do veículo e informou a situação e se alguém poderia abordar o outro veículo”, frisou.

No entanto, antes de chegar à Base da Polícia Rodoviária, o carro dirigido por Carreira saiu da rodovia e seguiu no sentido à avenida Getúlio Vargas. Sossai ligou novamente para a base, informando que não iria passar por ali e a localização. “Chegando na Getúlio Vargas, passamos por duas viaturas, demos sinal, chamamos, mas não houve retorno”, contou.

Assim que saiu da rodovia, o policial voltou a fazer contato com o Copom que, de acordo com o relatado pela noiva, teria orientado Sossai a acompanhar o veículo de Carreira. A noiva de Sossai ressaltou ainda que, ao parar no semáforo, foi possível perceber que Carreira estava com a cabeça baixa, como se estivesse cochilando.

No local onde o policial Luís Gustavo Carreira foi morto, a noiva de Sossai lembrou que ele parou o carro, mas não desceu e seu noivo parou ao lado dele. Ela reforçou ainda que foi a primeira vez que os dois policiais se comunicaram verbalmente. “Não houve discussão nenhuma antes disso”, ressaltou.

Pelo relato, Carreira teria abaixado o vidro do carro e questionado quem era Sossai e porque estava atrás dele e fazendo outros questionamentos. “Dava para perceber que ele não estava bem, porque ele falava muito devagar e enrolava muito para falar. Meu noivo perguntou se ele tinha bebido porque ele não estava bem”, lembrou.

Nesse meio tempo, Carreira teria abaixado dentro do veículo e pegado uma arma. Depois disso teria saído do carro com a arma na mão. Nisso, Sossai também desceu do veículo se identificando como policial e pedindo para Carreira largar a arma, segundo sua noiva. “Ele não largou a arma e eu fui para o lado do motorista pedindo para eles pararem com a discussão, mas não deu tempo. O rapaz atirou, meu noivo agachou, o rapaz continuou atirando e meu noivo levantou e começou a atirar. Eu saí pelo lado do passageiro, agachei e comecei a pedir socorro e nisso eu vi que a primeira pessoa a sair para a rua foi um senhor”, relatou.

Da mesma casa saiu uma senhora que, segundo a noiva de Sossai, seria a mãe de Carreira, mas ela só teria dito o nome do PM e voltado para dentro. “Eu ainda perguntei ‘a senhora conhece?’ e ela disse ‘é meu filho’ e entrou, mas não saiu mais”, disse. A partir daí os vizinhos começaram a sair, meu noivo pegou a arma dele para entregar aos policiais. Segundo ela, só ficaram sabendo que Carreira era policial quando os vizinhos questionaram quem atirou. Quando Sossai disse que os disparos foram feitos por ele, se identificando como policial, os vizinhos disseram que Carreira também era policial.

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