Polícia

Trio é condenado por tráfico internacional

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Três homens foram condenados por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico em sentença proferida pelo juiz federal substituto da 3ª Vara Federal de Bauru, Diogo Ricardo Goes de Oliveira. A decisão foi publicada ontem no Diário da Justiça. Ela prevê pena de 14 anos de reclusão a Elizeu Ziller e de 12 anos tanto para Eberton Teles de Menezes, quanto para Julio Cesar Fernandez Arevalos.

O último é paraguaio e dirigia a caminhonete S-10, cuja placa também é do país vizinho. Na carroceria do veículo estavam acondicionados 78 quilos de maconha. Conforme o JC divulgou na ocasião, a pedido da Polícia Federal (PF), uma concessionária da cidade levou mais de uma hora para serrá-la.

A S-10 foi interceptada na madrugada do dia 18 de fevereiro deste ano, em Avaré, na base do Policiamento Rodoviário do município, situada no quilômetro 248 da rodovia Castelo Branco. Além dela, um Palio Weekend Adventure também foi abordado. Viajavam nele, como “batedores”, Ziller e Menezes, ambos brasileiros, que teriam a função de verificar eventuais fiscalizações durante o trajeto.

Após o trio ser parado e questionado pela polícia, o paraguaio confirmou conhecer os outros dois. Em depoimento, informou que os encontrou em Apucarana, Paraná, onde o veículo quebrou. Alegou ter sido auxiliado por eles. Ziller confirmou a ajuda prestada e informou que iria para São Paulo buscar a filha, na companhia de Menezes. Ocorre que o cadastro do reparo do carro conduzido por Arevalos, feito por uma concessionária paranaense, foi registrado em nome de Ziller, na época em livramento condicional por ter cumprido pena por tráfico de drogas.

Outras evidências

Além disso, as diferenças de tempo de passagem nos mesmos postos de pedágio, nas mesmas datas, indicam que estavam juntos. E, com autorização judicial para quebra de sigilo telefônico, constatou-se 117 ligações entre Ziller e o paraguaio. Os números tornaram inverossímeis as argumentações de Menezes, que informou em interrogatório não ter presenciado qualquer telefonema de Arevalos com o amigo, com quem percorreu todo o trajeto. Para piorar, duas ligações também foram constatadas no dia anterior à viagem entre Ziller e Arevalos.

O paraguaio, por fim, confirmou ter recebido um milhão e meio de guaranis, cerca de R$ 700,00, para transportar a droga de Guaíra para Tietê, em São Paulo. Segundo o juiz federal, a defesa dos réus insistiu na tese de que a droga viria do Paraná e não do país vizinho. “Carro do Paraguai, com placa do Paraguai, com fundo falso. É para passar pela fronteira. Condenei com convicção”, acrescenta Oliveira.

De acordo com ele, ao interceptar a caminhonete, a Polícia Federal já havia recebido denúncia de que a droga viria de Salto Del Guaíra, Paraguai. “Em Bauru é difícil ter condenação por tráfico internacional de drogas porque não é um mercado grande, mas é completamente rota. O tráfico internacional é da competência da Justiça Federal e resulta em aumento de pena”, explica o juiz.

Quando ocorre dentro do território nacional, a pena prevista é de cinco a 15 anos de reclusão. O fato de ser internacional resulta em acréscimo de um terço. “Um dos carros a gente mandou leiloar e o outro, está para ser vendido”, ressalta Oliveira. De acordo com ele, a defesa dos réus deve recorrer. Neste caso, enfrentará provas técnicas fortes, enfatiza. O trio está preso desde fevereiro, como deve continuar mesmo durante recurso.

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