Diz o ditado que seguro morreu de velho, e seguro é uma das coisas que pagamos na esperança de nunca termos que usá-lo. Existem várias coisas embutidas dentro de nossos carros, das quais alguns nunca ouviram falar, que estão lá para nos proteger em caso de acidentes e nem nos damos conta. Os cintos de segurança são os mais óbvios por estarem bem visíveis e são extremamente úteis e eficientes, mas não são os únicos itens de segurança de que dispomos.
Uma das características mais marcantes de um bom projeto automotivo é a carroceria deformante, ou seja, que se deforma controladamente em caso de acidente, absorvendo a energia do impacto e protegendo a vida humana dentro do carro. É um projeto que engloba várias etapas, considerando não apenas o aspecto estético da carroceria mas suas formas internas que, sob impacto frontal, lateral ou traseiro se deformam de forma previsível. Hoje é comum vermos acidentes desastrosos em que o motorista abre a porta e desce para ver a burrada que fez...
Parachoques absorventes, grades frontais que se desmontam em caso de impacto, ausência de cantos vivos nos paralamas, espelhos retrovisores dobráveis, antenas de teto, enfim uma enorme gama de pequenas coisas que minimizam a gravidade de um acidente.
Outro perigo potencial em qualquer acidente é um incêndio por vazamento de combustível. Antigamente os carros tinham tanques de chapa de aço estampado e alimentação por bomba de combustível mecânica e carburadores. A caca estava armada em caso de vazamento de combustível, seja por perfuração do tanque ou pelo próprio carburador, mas pelo menos a bomba de combustível parava de bombear quando o motor também parasse. Nos carros atuais com sistema de injeção de combustível, uma bomba elétrica pressuriza o sistema para alimentar os bicos injetores. Em caso de acidente, mesmo que o motor pare, caso o sistema elétrico se mantiver ligado, a bomba continuará a injetar combustível, podendo causar vazamento e eventual incêndio. Porém todo sistema de injeção tem um relé que arma a bomba elétrica de combustível e se desarma em caso de acidentes, cortando o fluxo. No instante logo após o acidente, quando um sensor detectar o corte brusco do motor ou mesmo a abrupta variação de velocidade, a centralina do motor corta o fornecimento de energia para este relé e o desarma, interrompendo o fornecimento do combustível. Às vezes, pequenas batidas podem desarmar este relé e cortar o combustível, impedindo com que o motor dê a partida. É aconselhável que o motorista leia o manual do proprietário e se familiarize com a localização do botão de acionamento deste relé, que normalmente se localiza no painel de acabamento abaixo da coluna A, na frente da porta do motorista, logo abaixo do painel. O uso generalizado de tanques plásticos de combustível torna os veículos mais seguros por serem mais resistentes a perfurações e rasgos, conseqüentemente menos vulneráveis a vazamentos. A sua localização no meio do carro, por baixo, protege o tanque dos impactos.
Outro item de segurança que quase ninguém se dá conta são os pneus, que além da aderência para aceleração, curvas e frenagem, ainda precisam ser seguros quanto a estouros. Os modernos pneus radiais sem câmara levam grande vantagem sobre os antigos com câmara pelo fato de suportarem melhor pequenos furos, que permitem um esvaziamento gradual da pressão interna pela obstrução que o próprio elemento perfurante faz ao ficar espetado no corpo do pneu. Já um pneu com câmara, quando esta é perfurada, perde pressão repentinamente e pode causar descontrole direcional no veículo. Líquidos antifuro nos pneus são disponíveis no mercado e são bastante úteis por permitirem que em caso de furo, um produto injetado dentro do pneu vaze para fora e sele o buraco imediatamente, permitindo viajar com o pneu furado por um bom tempo até achar um posto para conserto.
Diversos outros equipamentos de segurança passiva estão aí para nos proteger, como o freio ABS, que evita o travamento das rodas e perda de controle direcional em caso de freadas bruscas, reduzindo o espaço de frenagem; parabrisa de vidro laminado a prova de estilhaços; coluna de direção deslocável para o lado em caso de colisão frontal, impedindo a perfuração do motorista; desenho antimergulho dos bancos e do painel de instrumentos, dentre outros. O importante é que estão lá, prontos para quando precisarmos deles.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.