Cultura

Jair festeja os 112 anos de Bauru

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Aos 69 anos, Jair Rodrigues parece estar longe de se aposentar. Com o entusiasmo e a alegria contagiantes de sempre, preservados ao longo de cinco décadas de carreira, é que o cantor vem a Bauru saudar a cidade pelo seu 112.º aniversário. O show, promovido pelo Jornal da Cidade, será realizado amanhã, a partir das 20h30, no Parque Vitória Régia, como encerramento das atividades comemorativas, que serão realizadas durante todo o dia.

O cantor, que esteve em Bauru no ano passado, na programação da série “Grandes Nomes” do restaurante Beef Street, no Alameda Quality Center, está feliz em retornar, agora para uma apresentação gratuita e ao ar livre.

“Em todos os shows, sempre procuro dar o melhor de mim, com o mesmo entusiasmo, vontade e dedicação. Mas eu gosto muito de estar em contato com o público. Com um grande público, o show já é, por si só, uma confraternização linda”, diz Jair, em entrevista ao JC Cultura, por telefone, enquanto aguardava no cabeleireiro por um “trato” no visual. “Vai ficar bonitinho, vocês vão ver na sexta”, brinca, com a simplicidade que lhe é peculiar.

Além dos cabelos cortados e os grandes sucessos, o público poderá ainda conferir algumas canções de “Jair Rodrigues em Branco e Preto”, o mais novo trabalho do cantor. Composto basicamente de músicas inéditas, é um CD de puro samba, gênero no qual, apesar de intérprete eclético, Jair se fez. “Na verdade, é o ritmo que eu mais gosto de cantar. É o que está dentro de mim”, confessa.

Segundo o cantor, quatro a cinco das novas canções estarão presentes no show que ele traz a Bauru, mas garante que são os clássicos que irão prevalecer. Entre as músicas que se tornaram populares na voz de Jair, estarão “Disparada”, “Triste Madrugada”, “Luar do Sertão”, “Deixa Isso pra Lá”, “Menino da Porteira” e muitas outras. “É música para se cantar dois dias”, resume.

Depois de décadas de carreira, tantos sucessos e de uma energia sem fim, o segredo de tamanha disposição é um mistério que Jair nega existir ou, consciente da preciosidade, prefere não revelar. Os frutos do trabalho credita apenas à sua paixão pela música e à condução divina. “É Ele lá em cima o responsável por nunca deixar a peteca cair”, acredita Jair.

A música feita em família, porém, deve também contribuir, de alguma forma, para essa peteca não sair de jogo. Pai dos músicos Luciana Mello e Jair Oliveira, o cantor diz ser uma benção acompanhar a carreira dos filhos e trabalhar ao lado deles. “Juntamos a fome com a vontade de comer. Eu aprendo muito com eles e tenho muito que ensinar, graças a Deus. É a família faturando unida”, brinca.

“E eu fico muito feliz porque, mesmo com essas execuções de músicas ‘tranqueiras’, eles (Luciana e Jair) não entram nessa e continuam fazendo coisa boa, esperando a vez deles chegar”, orgulha-se o músico.

É assim que Jair aproveita para criticar o pouco espaço dado aos novos talentos e relembra, com carinho, dos tempos de festivais, nos quais marcou história, e dos programas de música como “O Fino da Bossa”, apresentado ao lado de Elis Regina, na TV Record. “Eu gostaria muito que voltassem, à maneira de como eram feitos antigamente, não por mim, mas porque existe muita matéria-prima para isso”, defende o músico. “O talento da nova geração está aí, mas eles não têm espaço para mostrar seus trabalhos”, alerta.

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Em branco e preto

“São sambas da melhor qualidade”, define Jair Rodrigues quanto ao repertório de seu último álbum, produzido pelos sambistas do Quinteto Branco e Preto. Nada menos que o 46.º disco da carreira do cantor, “Jair Rodrigues em Branco e Preto” passeia pelo universo do samba e do choro, destacando estilos como samba-rock, samba de breque e a mistura de baião com samba.

Nove das 14 faixas do álbum são inéditas. Uma de autoria do próprio cantor, “Quem Falou”, parceria com Paulinho Dafilin; outra composta pelo filho, Jair Oliveira, “Vida em Sonho”, e muitas conhecidas entre os freqüentadores da comunidade do Samba da Vela, mas nunca gravadas, trazidas pelo Quinteto. A comunidade, integrada pelo grupo, foi criada em 2000, no bairro de Santo Amaro, e é um espaço para que compositores mostrem a própria obra.

“Jair Rodrigues em Branco e Preto” traz ainda os sambas de enredo “Marquesa de Santos” (Nenê de Vila Matilde/1961), “Independência ou Morte” (Vai-Vai/71) e “Exaltação a Tiradentes” (Império Serrano/49), gênero que o músico sempre ajudou a popularizar registrando em discos.

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