Rio - A Justiça Federal concedeu ontem habeas corpus ao médico Joaquim Ribeiro Filho, suspeito de comandar um esquema de venda de lugares na fila de transplantes de fígado no Rio, desarticulado na Operação Fura-Fila, da Polícia Federal, no último dia 30. Ribeiro Filho, que é ex-chefe da central de transplantes do Rio e o do setor de transplantes de fígado do hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi preso durante a operação.
Na decisão, a juíza Andréa Cunha Esmeraldo deferiu o pedido de habeas corpus sob três condições - que o médico fique afastado do cargo de cirurgião do hospital da UFRJ e professor da universidade; que fique proibido de realizar transplantes de fígado; e que assine um termo se comprometendo a não manter qualquer tipo de comunicação com os réus, co-réus e testemunhas do processo que ele responde na Justiça.
Para isso, a juíza determinou que ele mantenha distância de um raio de pelo menos 500 metros dos citados no processo. Para ganhar liberdade, o médico também terá de pedir autorização à Justiça quando quiser sair do Estado do Rio e avisar caso se mude. Na decisão, a juíza argumentou não ver, no processo e nas investigações, indícios de que Ribeiro Filho possa atrapalhar o processo, caso ficasse em liberdade.
De acordo com denúncia do Ministério Público, o médico emitia laudos falsos e enganava funcionários da central de transplantes do Rio para conseguir tirar fígados que iriam para pacientes no topo da lista do Sistema Nacional de Transplantes no Rio. Em troca de pagamentos que alcançavam R$ 250 mil, o médico transplantava o órgão desviado em pacientes que pagavam a taxa, segundo a denúncia.