Política

Aterro terá mais seis anos de operação

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) está contratando, por licitação, projeto de adequação e finalização do aterro sanitário para permitir a ampliação do tempo de vida útil do local por mais seis anos. A informação foi dada pelo presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, durante participação na sessão solene de 112 anos de aniversário da cidade, realizada na Câmara.

A empresa municipal já efetuou a instalação de uma quarta camada no aterro, mas a exigência de dados técnicos adicionais pela Companhia Estadual de Tecnologia Ambiental (Cetesb), sobre a movimentação do talude que protege o aterro, levou a adequações que permitem acréscimos de camadas com dimensionamento menor que as três primeiras, mas o suficiente para dar a sobrevida ao equipamento no recebimento de lixo domiciliar urbano.

“A Emdurb contratou o estudo para demonstrar que não haverá movimentação do talude, conforme solicitação pela Cetesb, e, nesse processo, incluiu complementações para o Departamento de Análise de Impacto Ambiental (DAIA). O estudo visa demonstrar que colocando-se mais lixo em cima da última camada existente não vai haver o deslocamento pra frente desse talude do aterro”, contou Barbieri.

Mas como o DAIA pediu também a constatação de que esta será a última intervenção em camadas do aterro, definindo sua finalização, a Emdurb incluiu as mudanças no estudo. “Como será a última intervenção e os dados mostram que é possível reduzir um pouco a espessura daquilo que seria a quinta e sexta camadas possíveis, nós vamos acrescentar agora, porque depois não terá como mexer mais, conforme solicita o parecer pedido à Emdurb pelo DAIA. Com isso, a vida útil acrescida passa de três para em torno de seis anos, eliminando esse problema no início da próxima gestão”, mencionou o presidente.

As alterações

A mudança significa, conforme Carlos Barbieri, reduzir a altura da camada de 4,5 metros para em torno de 3 metros, com meio metro de prenssagem da argila para fazer o isolamento. Com isso, o estudo, explicou o presidente da Emdurb, abre mais uma camada de três metros. “Demos com essa adequação uma sobrevida ao aterro em relação ao pedido original de três para seis anos, com essa metodologia de se dividir o talude em dois e diminuir a área das camadas. A vantagem é que, sem novo aterro sanitário disponível, o próximo prefeito terá seus quatro anos de governo para definir como será o destino do lixo domiciliar a partir do final de 2013”, concluiu.

Os estudos estão sendo contratados por licitação pela Emdurb, em razão de a empresa não dispor de capacidade técnica para realizar o processo. A etapa redefine o aproveitamento das camadas para onde são levados o lixo domiciliar e, por outro lado, encerra o prazo de utilização do aterro.

Para comprovar a vida útil final do aterro, a Emdurb vai ter de demonstrar o volume de lixo diário depositado no local, a capacidade das novas camadas e, com isso, o tempo final disponível de operação.

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Operação do lixo

O aterro recebe 220 toneladas de lixo domiciliar por dia. As três camadas iniciais estão esgotadas e a quarta camada foi instalada no ano passado. A impermeabilização das lagoas para contenção do chorume, o líquido resultante da decomposição do lixo, é um dos principais requisitos para a Secretaria do Estado do Meio Ambiente autorizar a instalação de novas camadas.

A lagoa de chorume é, na prática, um grande buraco no chão, semelhante ao feito para construção de piscinas. A diferença está na impermeabilização. Para conter o chorume, é preciso revestir o buraco com uma manta de borracha dura, impermeável. Antes disso, as paredes da lagoa ainda recebem uma mistura de solo-cimento para ampliar a resistência do equipamento.

O aterro sanitário de Bauru fica às margens da rodovia Marechal Rondon, na altura do quilômetro 353, a uma distância de 15 quilômetros do Centro da cidade. A área total do aterro, construído em 1992 durante o governo de Antonio Izzo Filho, é de 11,12 alqueires.

O lixo descarregado é empurrado de baixo para cima contra um barranco (célula anterior) e distribuído pelo seu talude. O trator sobe e desce a rampa de três a cinco vezes, a fim de que o lixo seja reduzido a seu volume mínimo - geralmente a um terço do volume inicial.

No final do dia, ou quando a coleta termina, esse monte de lixo recebe uma cobertura de terra (15 a 30 centímetros) com a finalidade de evitar a propagação de moscas, baratas, ratos, urubus. Esse processo constitui a célula sanitária. No final, o aterro recebe uma cobertura de 60 centímetos de terra bem compactada, um processo de selagem do material depositado.

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