Como o tratamento para pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) depende do tempo de socorro e atendimento adequado, a identificação do quadro precisa ser a mais rápida possível. Porém, o brasileiro tem muita dificuldade para reconhecer que uma pessoa está sofrendo um AVC, como mostrou o estudo conduzido pelo neurologista Octávio Marques Pontes Neto. Por isso, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) mantém um protocolo de perguntas para auxiliar o médico regulador a identificar um AVC.
De acordo com o médico José Eduardo Passos, coordenador do Samu de Bauru, a dificuldade da população em reconhecer um AVC é real. “O grande problema do AVC é o diagnóstico e o tempo de tratamento. Tanto que o Ministério da Saúde pede maior empenho nessa questão. E para isso é necessário velocidade desde o reconhecimento precoce por parte dos familiares até nas unidades de saúde”, observa.
O médico conta que a maioria das chamadas ao Samu relacionadas ao AVC começa com a pessoa informando que o familiar ou amigo não está mexendo uma parte do corpo. “Mas os sintomas podem ter aparecido antes, com uma tontura, fala enrolada. Porém como muitos pacientes são idosos, esses sintomas podem ser confundidos com problemas relacionados à idade”, diz.
Com a demora no atendimento, a chance de seqüelas irreversíveis aumenta. “Como no nosso município temos a regulação médica, ao perceber os sintomas, o especialista passa a seguir uma série de questões que, conforme as respostas, denunciam a possibilidade de um acidente vascular. Caso cheque uma suspeita de AVC, o médico é enviado para atender o paciente já no local”, informa.
Para agilizar o tratamento de pacientes com o problema, o Samu propôs aos hospitais de Bauru um pacto. A proposta é encaminhar os pacientes com a doença direto para internação em hospitais - de Base e Estadual - ao invés de levá-los para o Pronto-Socorro Central (PSC).
Esta nova sistemática de atendimento foi um dos temas discutidos durante o Congresso Brasileiro de Atenção às Urgências, realizado recentemente em Brasília. O pacto faz parte das novas formas de conduta no atendimento de urgência, proposto pelo Ministério da Saúde.
Caso aprovado, no novo sistema quando a viatura de suporte avançado do Samu atender um paciente com AVC, ele será encaminhado diretamente para a tomografia de um hospital, para avaliar se precisa ser internado na neurologia ou ir para o centro cirúrgico.