Itapuí - O corte de árvores nativas pela Prefeitura de Itapuí (46 quilômetros de Bauru) em uma praça levou a Organização Não Governamental (ONG) Bica de Pedra a procurar o Ministério Público (MP) de Jaú. Segundo a denúncia, 12 espécies de alecrim de campinas foram derrubadas para a construção de passarelas para pedestres.
De acordo com o ambientalista José Vitor Ficcio, o corte das árvores, de aproximadamente 47 anos, ocorreu na Praça São Benedito, na entrada da cidade. Além da espécie alecrim de campinas, também teriam sido arrancadas paineiras, próximo a uma igreja, árvores patas de vacas e legustres. Segundo Ficcio, teriam sobrado apenas duas árvores da espécie pau brasil e algumas exóticas.
No local, a prefeitura construiu pequenas passarelas, de pouco mais de um metro de largura. A derrubada das árvores levou o ambientalista a procurar o Ministério Público, em Jaú. “Eu estou enviando para o promotor uma representação”, confirma Ficcio.
“Alecrim de campinas são as mais raras (árvores) que nós temos no município. É espécie nativa da região e, há aproximadamente 47 anos, cada árvore está lá. São de quando foram construídas a praça e a igreja no local. Eles arrancaram tudo e largaram apenas algumas espécies exóticas”, lamenta.
O responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Itapuí, Silas de Moura Oliveira, explica que no local está sendo executado um projeto paisagístico, elaborado por uma arquiteta bauruense, para revitalizar a área.
Segundo ele, a praça estava abandonada e era utilizada, inclusive, por usuários de drogas. Para colocar em prática o projeto, ele alega que foi mesmo necessário derrubar algumas árvores na área.
De acordo com Oliveira, oito árvores foram retiradas da praça, sendo que apenas uma era nativa e as demais de tipos exóticos.
“A praça estava completamente abandonada. Era um ponto de tráfico. Então, foi montado um projeto e fizemos a retirada de oito árvores”, relata.
“Vai ter uma nova iluminação, uma nova cara e novas árvores. Eu sou totalmente contra a retirada dessas árvores, porém era necessário devido ao projeto porque as árvores estavam no meio do caminho”, completa.
Autonomia
Oliveira diz que o corte das árvores foi autorizado pelo Executivo. “Como é dentro de área urbana não tem necessidade de pedir outro tipo de autorização”, diz, ressaltando que, apesar disso, serão plantadas novas árvores na praça.
Para tentar conter a derrubada de árvores nativas na cidade, Ficcio espera que a Comissão de Meio Ambiente da Câmara mude a lei municipal que dá autonomia ao Executivo e permite o corte indiscriminado de árvores. “Porque eles não têm conhecimento e vão devastando tudo”, completa.
A revitalização da praça, segundo Oliveira, deve ficar pronta antes de outubro. Ficcio, no entanto, espera que a prefeitura possa trabalhar em parceria com a ONG, elaborando um estudo de impacto ambiental antes de mexer na vegetação existente na área urbana.