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Recuperados quadros roubados em SP

Por Juliana Coissi | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A gravura “Minotauro, Bebedor e Mulheres” (1933), do pintor espanhol Pablo Picasso, a última das quatro obras roubadas na Estação Pinacoteca no dia 12 de junho que ainda não foi recuperada, está escondida na zona leste de São Paulo. Essa é a convicção da Polícia Civil, que busca três foragidos.

Ontem, o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, e delegados exibiram os quadros de Di Cavalcanti e de Lasar Segall que foram recuperados na noite anterior, em Guaianases, também zona leste. Um homem foi preso. Há duas semanas haviam sido detidos outros dois suspeitos.

As pinturas “Mulheres na Janela” (1926), de Di Cavalcanti, e “Casal” (1919), de Lasar Segall, recuperadas anteontem, são as mais caras entre as roubadas - custam US$ 500 mil e US$ 60 mil, respectivamente.

Elas foram achadas debaixo de uma cama em um apartamento de conjunto habitacional. As obras estavam envoltas em um cobertor dentro de um saco plástico de um armarinho da rua 25 de Março, tradicional rua de comércio popular.

A polícia chegou aos quadros após abordar Edmilson Silva do Nascimento, 29, apontado como o homem que dirigiu o carro após a saída do museu.

Edmilson negou o crime, mas levou os policiais até o apartamento onde estavam os quadros. O imóvel pertence a Diego Constantino de Oliveira, 23 anos, que está foragido.

Pelas investigações do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), a gravura de Picasso, ainda desaparecida e avaliada em US$ 5 mil, está em poder de Paulo César Soares, 28 anos, também foragido. Ele foi identificado como um dos três homens que entraram no museu.

Ueslei Teobaldo Barros, 31 anos, foi o primeiro a ser preso, há duas semanas, quando policiais conseguiram reaver a primeira obra roubada - a gravura de Picasso “O Pintor e Seu Modelo” (1963), de US$ 5 mil, estava escondida no telhado de um prédio em Itaquera. Na última segunda, Alex Santana dos Santos, 20 anos, foi preso acusado de ajudar a esconder a obra.

Segundo o delegado titular do Deic, Marcelo Teixeira Lima, o mentor da quadrilha é Marcelo Dias de Souza, 27 anos, que, armado, rendeu os funcionários. Ele ainda está foragido.

Para o diretor do Deic, Youssef Abdul Chaim, foi um crime de oportunidade. “Eles primeiro roubaram para depois procurar comprador.” A escolha das obras, segundo ele, não foi aleatória. Basearam-se na fama de Picasso para roubar as gravuras. Já a de Di Cavalcanti foi escolhida por estar reproduzida em um gigante cartaz na porta do museu.

As duas obras foram carregadas anteontem por funcionários sem luvas e colocadas no chão do palco onde ocorreu a entrevista coletiva - a exemplo do que foi feito com a primeira obra e com as peças roubadas no Masp, no ano passado.

O manuseio era observado com temor por Maria Alice Milliet, diretora da Fundação Nemirovsky, detentora do acervo roubado.

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