Assunção - Em eventos diferentes, o atual e o futuro presidente do Paraguai, respectivamente Nicanor Duarte Frutos e Fernando Lugo, fizeram referências, ainda que indiretas, à hegemonia brasileira na região. Ambos também aludiram ao crescente peso da Venezuela na política continental, mas desta vez manifestando discordância de posições.
Em encontro com o alto escalão militar paraguaio, Duarte exortou as Forças Armadas a reagir à ingerência estrangeira com “pretensões imperialistas’’, em alusão sobretudo ao Brasil, mas também à Venezuela. O paraguaio, que nunca foi próximo de Chávez, o acusou, em abril, de enviar “agitadores’’ para “turvar’’ as eleições.
Já o presidente eleito, Fernando Lugo, que assume no próximo dia 15, disse, em visita a meios de comunicação, que a Venezuela pode equilibrar a hegemonia regional representada por Brasil e Argentina. Ele defendeu “um novo desenho da política externa’’ paraguaia.
Ex-bispo que quebrou uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado ao eleger-se à frente de uma ampla coalizão política, Lugo disse não ter medo do “eixo do mal’’, pois não identifica o país à autoridade que o dirige, numa clara defesa da aproximação com a Venezuela. Segundo ele, “Chávez passa’’, mas não o potencial do país.
Lugo reivindica do Brasil a revisão do Tratado de Itaipu, sua principal bandeira de campanha, e busca na Venezuela uma alternativa energética. Em junho ele assinou com Chávez um pré-acordo de fornecimento do produto.