Islamabad - Dirigentes dos dois principais partidos do Parlamento paquistanês anunciaram ontem a abertura de procedimentos para o impeachment do presidente Pervez Musharraf, que governou o país como ditador até o começo deste ano.
O anúncio do plano de impeachment foi feito por Asif Ali Zardari, presidente do PPP (Partido do Povo Paquistanês), viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada em dezembro último, e por Nawaz Sharif, líder do partido islâmico PLM-N, que chefiava o governo há nove anos e foi deposto por Musharraf. Ambos argumentaram que o ex-ditador colocou em prática políticas que dividiram e enfraqueceram o país.
Hoje a inflação é de 20%, faltam alimentos, a eletricidade é cortada diariamente por algumas horas nas principais cidades e há atritos com grupos radicais islâmicos que pregam restrições comportamentais.
A Constituição paquistanesa prevê o impeachment com o voto de dois terços dos deputados e senadores. Na Câmara, o governo tem maioria confortável, mas no Senado os partidários de Musharraf ocupam cerca de metade das cadeiras.
Mesmo assim, um especialista, Basul Bakhsh Rais, disse que o impeachment era “altamente provável’’. O general da reserva Talat Masood disse, por sua vez, que “o presidente não poderá sobreviver politicamente’’ e que a renúncia seria para ele a solução mais honrosa.
Um dos partidários do ditador, Kamil Ali Agha, disse que ele não renunciaria e preferiria enfrentar a ameaça de impeachment.
Uma outra alternativa estaria em dissolver o Parlamento para com isso conter seus opositores. Mas Musharraf só o faria com o apoio militar - hoje pouco provável.
Como exemplo do desprestígio, nota da diplomacia paquistanesa anunciou ontem que Musharraf não mais representaria o Paquistão na abertura da Olimpíada de Pequim.