Política

Rede de interceptores de 35 km não será mais licitada

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) decidiu que não será mais licitado o serviço de instalação para os 35 quilômetros de interceptores que vão levar resíduos até a futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrito Industrial I. O presidente da autarquia, José Mauro da Cunha Carneiro, afirmou que será realizada a compra dos tubos, mas o serviço vai ser concluído pelo próprio DAE.

Esta era a decisão pendente sobre os procedimentos para completar o cronograma de obras para o processo de tratamento de esgoto em Bauru. O DAE tinha dúvidas sobre a capacidade de instalação de tubos de maior diâmetro e em regiões com problemas no relevo e solo. “Desde o início do processo de tratamento, o DAE passou a investir em equipamentos e formação da equipe própria. Hoje realizamos praticamente um quilômetro de rede por mês só de interceptores. Então vamos comprar os tubos e instalar com a equipe do próprio DAE”, disse, esta semana, Carneiro.

A rede de interceptores de esgoto em Bauru conta com 42 quilômetros e faltam outros 35 quilômetros. Conforme a autarquia, os tubos já instalados apresentam custo médio de R$ 350 mil por quilômetro, o que gera uma previsão de despesas de R$ 12,2 milhões para a extensão que falta levar às ruas. O valor é muito próximo da expectativa de receita anual pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

O FTE gera receita carimbada, exclusiva para o sistema de tratamento de esgoto, equivalente a 40 pontos percentuais da tarifa de esgoto. Os 60% restantes são utilizados pela autarquia na manutenção da rede coletora existente nas ruas. A rede de interceptores impede que o esgoto trazido pela rede coletora chegue aos rios, levando os dejetos até a ETE, a ser instalada no Distrito Industrial I.

Conforme a assessoria de imprensa do DAE, de março a julho deste ano foram instalados 3.193 metros de tubos. No mês de julho, outros 437 metros de interceptores foram colocados às margens do córrego Água da Ressaca, na região do Parque das Nações.

A programação integra compromisso físico-financeiro firmado com o Ministério Público (MP) em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Licitação da ETE

Neste mês o DAE publica o edital de licitação por menor preço para buscar a contratação de instalação e operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) principal, no Distrito Industrial I, com valor global avaliado em R$ 87 milhões por empresa especializada contratada.

O orçamento posiciona a construção da ETE Vargem Limpa como a maior obra a ser contratada pela administração municipal nos últimos 20 anos, acima inclusive das quatro alças do contrato assinado por Tidei de Lima com a Camargo Correa, em 1993, cuja etapa parou na primeira alça inacabada.

Em 2001, a instalação da ETE foi avaliada em cerca de R$ 50 milhões a partir de estudo de concepção elaborado pela empresa Serec. Em termos de custo final a ser empregado para o sistema completo, com ETE e a rede que falta de interceptores, o investimento necessário será de R$ 100 milhões, valor que será financiado pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

Conforme o projeto básico, que custou R$ 140 mil, somente com estrutura em concreto serão consumidos R$ 26 milhões na ETE, além de R$ 40 milhões em materiais, equipamentos hidráulicos e mecânicos. A maior parte da obra é de engenharia civil, inclusive nos três módulos que atuarão por reatores anaeróbicos (UASB), avaliados no estudo por R$ 27,5 milhões no total.

O detalhamento dos custos também aponta, dentro dos R$ 40 milhões de equipamentos e instalações, R$ 13,8 milhões somente para filtros aerados. A diretora de planejamento do DAE, Nucimar Paes, informou que o projeto básico também apresentou custo de R$ 4,3 milhões para o projeto executivo, que terá de ser contratado junto com a obra de instalação da ETE.

O projeto básico detalha aspectos de arquitetura, plantas, memorial descritivo, especificações técnicas, equipamentos, normas e volume de matéria-prima a ser empregada, equipamentos e serviços.

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