Se de vez em quando o bauruense que passar pela avenida Getúlio Vargas notar um senhor de chapéu próximo à copaíba, espirrando um líquido amarelado em suas folhas, não deve se assustar. Trata-se do ferroviário aposentado Waldomiro Rett, que há 11 anos decidiu adotar a árvore por conta própria, para mantê-la como símbolo vivo de Bauru. Ao contrário de muitos cidadãos bauruenses que não têm o menor respeito pela natureza, principalmente pela frondosa espécie, Rett transformou esse cuidado em religião.
Há 11 anos, o aposentado de 87 anos foi um dos defensores da árvore, quando surgiu a possibilidade dela ser cortada para que fossem realizadas as obras de duplicação da avenida.
Após um grande movimento que envolveu vários setores da sociedade, a copaíba foi mantida - além de ter se tornado um símbolo da cidade, freqüentemente é escolhida por alunos para ações de educação ambiental. O que pouca gente sabe - ou se esqueceu - é que Waldomiro Rett estava ali, lutando para que a árvore não caísse, brigando para aterrar o local, conhecido hoje como Praça da Copaíba, e matando os cupins que infestavam o tronco.
Desde então, nada faz o aposentado mais feliz do que conversar com sua ‘amiga’. “Quando não estou bem, venho até aqui e falo ‘bom dia, minha copaíba’ e ela me responde, quando o vento balança suas folhas”, afirma Rett, explicando que cuidar do meio ambiente para ele é uma terapia. “Além dela, cuido de outras 47 árvores. Nunca fiquei doente”, conta, lembrando que faz esse trabalho desde criança.
A ação de Rett consiste em, basicamente, aplicar adubo nas folhas e no solo, evitando que a copaíba se desfolhe nesta época do ano. Segundo ele, as raízes vão em busca de alimento onde as folhas caem. Evitando a queda, a árvore vai buscar alimentos no solo e isso fortalece a raiz, não deixando-a à mostra. “De abril a agosto, o verde entra de férias. Várias árvores estão desfolhadas, mas a copaíba não, está sempre frondosa”, comenta, destacando o resultado do tratamento dispensado à árvore.
Para Rett, Bauru é uma cidade santificada, pois possui muitas árvores e áreas verdes que encantam quem visita a cidade. Sobre a copaíba, ele afirma que vai continuar cuidando dela. “Quando converso com Deus, ele me diz: trabalha, planta e cria. É isso que nós devemos fazer. Me sinto orgulhoso quando vejo as pessoas deitadas na sombra dessa árvore, lendo livros”, salienta, e completa: “Copaíba significa árvore com bálsamo. E essa é um bálsamo na minha vida”.
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A árvore
Encontrada no México, Antilhas, África tropical e no Brasil, em especial na região Amazônica, a copaíba floresce de dezembro a março. Os índios da Amazônia utilizavam o óleo da árvore para untar o corpo depois de combates, para curar as feridas. Os colonos descobriram outras aplicações, utilizando-o como anti-séptico das vias urinárias e respiratórias, particularmente em bronquites.
Atualmente o óleo é utilizado como cicatrizante, anti-séptico, expectorante, diurético, estimulante, de ação emoliente e tônica. Também é um excelente fixador de perfumes, combinando as tradicionais notas florais. Na formulação de cremes e loções, age como emulsionante e co-emulsionante.