A seleção masculina de vôlei do Brasil faz no domingo sua estréia nos Jogos de Pequim. Contra o Egito, em jogo programado para as 3h30 da manhã (horário de Brasília), os comandados de Bernardinho iniciam a defesa do ouro olímpico conquistado em Atenas-04.
A partida marca também a volta do Brasil às quadras após a queda na fase final da Liga Mundial-08, disputada em julho no Rio. O time acabou derrotado pelos Estados Unidos nas semifinais e ainda perdeu a decisão do terceiro lugar para a Rússia.
Os próprios russos, além de Sérvia, Polônia e Alemanha, completam a chave do Brasil na primeira fase. “O torneio olímpico será muito difícil. O equilíbrio entre as seleções é enorme e os jogos serão decididos nos detalhes”, diz Bernardinho, ao site oficial do COB.
Apesar das ressalvas, o treinador projeta fazer história em Pequim. “Nós criamos uma hegemonia sem sermos os mais fortes nem os mais altos. Se confirmarmos as expectativas, o bicampeonato olímpico será um fato histórico”, completou.
A tensão se fez presente no elenco brasileiro nos últimos momentos da preparação para a estréia. Na última quinta-feira, o meio-de-rede Gustavo discutiu com Bernardinho em defesa do filho do treinador, o levantador reserva Bruninho Rezende. O técnico deu bronca em Bruninho e Gustavo discordou. “Aqui quem manda sou eu’’, disse Bernardinho, ao fim da discussão.
Vencedor nos últimos dois ciclos olímpicos, o grupo brasileiro traz consigo resquícios do trauma do corte do levantador Ricardinho no último Pan, em 2007. Titular na conquista da medalha olímpica em Atenas, o jogador acabou cortado após discussão com Bernardinho e jamais voltou ao elenco.
Apesar dos problemas, o treinador garante que o grupo segue unido, mesmo após a derrota para os americanos na Liga. “A equipe está ferida, isso é importante. Talvez tenha sido o que faltou naquele jogo contra os americanos. Falo para os atletas que eles tem que jogar com dor”, afirmou.
Para Giba, hoje o foco do elenco é o mesmo da última edição dos Jogos Olímpicos. “Depois do jogo contra os EUA (pela Liga Mundial), fechamos a porta e resolvemos todos os nossos problemas. Nossa equipe é experiente, técnica e emocionalmente. Sempre reagimos muito bem às derrotas”, disse o capitão da equipe.