Botucatu - A reestruturação da Embraer causará demissões na unidade da empresa em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Ontem, a multinacional brasileira anunciou a demissão de 250 trabalhadores dos setores administrativo e gerências. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José Campos, Luiz Carlos Cândido, acrescenta que as demissões divulgadas se somam às cerca de 500 já ocorridas no período de janeiro a julho deste ano, totalizando um corte de 750 trabalhadores.
No entanto, não há uma informação exata do total de pessoas que ainda perderão o emprego e nem quais unidades serão afetadas. De acordo com Cândido, o número de demitidos desde o início do ano é monitorado pela entidade sindical pelo volume das homologações. “A direção da empresa se nega a fornecer os números (de demitidos)”, argumenta. Ele revela que o corte de funcionários atingirá todas as unidades produtivas da multinacional brasileira. As demissões atingem cargos de diretorias, gerências, administrativos, engenheiros e operários.
Para resguardar 1.500 postos de trabalho nas várias unidades, o sindicato propôs à Embraer a redução da jornada de trabalho na empresa, sem redução de salários e sem banco de horas, como forma de reversão do quadro de demissões. Para a entidade, a diminuição da horas trabalhadas se justifica porque a Embraer possuiria a jornada de trabalho mais extensa da região: de 43,5 horas semanais.
A indústria de aeronaves emprega ao todo 23.855 pessoas, sendo que na fábrica de Botucatu trabalham aproximadamente 1.790 funcionários.
Em 1 de julho de 2006, a Embraer assumiu a antiga Indústria Aeronáutica Neiva. Instalada em Botucatu, o parque industrial possui 47.909 metros quadrados de área construída onde são produzidos o avião Ipanema, grande aposta para o setor agrícola, fabricadas peças, estruturas e cablagens para os jatos das famílias ERJ 145, Embraer 170/190 e Phenom, montagem da estrutura da fuselagem do Super Tucano, e fabricação de ferramental e dispositivo GSE.