Regional

‘Recomeço’ usa verduras e peixes na recuperação de dependentes químicos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos - Em Agudos (13 quilômetros de Bauru) existe um lugar muito especial, onde as pessoas entram pela dor e saem por amor. É a Organização Não-Governamental (ONG) Espaço Recomeço, uma comunidade terapêutica que oferece uma ‘mãozinha’ para quem quer passar uma borracha no passado e seguir em frente encarando a vida como ela é, enfrentando obstáculos sem se refugiar no álcool e nas drogas. Atualmente, são 19 internos, todos do sexo masculino e com idade acima de 18 anos.

O tratamento terapêutico e espiritual exige uma internação de, no mínimo, nove meses, que permitem uma visita mensal da família até que o interno esteja pronto para enfrentar a sociedade sem a dependência.

O espaço Recomeço fica no bairro Pavimentação. Além dos quartos, salas de aula e cozinhas, todas construídas pelos internos e idealizadores. Uma horta, jardins e quatro lagos para criação de peixes fazem parte da ONG.

Fundada em fevereiro de 2000, a Recomeço é ecumênica e um dos poucos locais da região designados para este tipo de tratamento, enfatiza o coordenador Luiz Fernando Lopes. “Em Bautu tem o Esquadrão da Vida e em Pirajuí, o Lar Dom Bosco.”

Sem ajuda governamental, a ONG se ‘debate’ para sobreviver e busca parceiros para continuar o trabalho.

“Não montamos essa entidade para ficar esperando dinheiro de fora. Queremos que ela se sustente. Para isso, temos o pesqueiro e a horta. A produção é voltada para o consumo próprio e para a venda. “Todos os dias, duas peruas saem para vender verduras nas ruas. São cultivadas sem agrotóxicos.”

Mais espaço

Lopes lamenta não ter mais espaço físico para aumentar a produção e poder comercializar o produto com supermercados e empresas de alimentação. “Não temos produção suficiente para atender a demanda dos estabelecimentos. A chácara tem uma parte que é só brejo e não dá para plantar verduras.”

A Organização Não-Governamental Recomeço tem espaço físico para 30 internos. Porém, como parte deles não paga pelo tratamento e a entidade não é auto-sustentável, só acolhe 19. “Nós fazemos uma triagem e analisamos a situação de cada família. Alguns pagam uma mensalidade e outros, não.”

O tratamento é caro, especialmente porque envolve tratamento médico e de outros profissionais. “Temos assistente social, psicóloga e conselheiros.”

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