Regional

Projeto Pescar tenta dar autonomia financeira ao Espaço Recomeço

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos - Na busca pela auto-sustentação, a ONG resolveu montar um pesqueiro com lanchonete. A única restrição é a bebida alcóolica, que não é vendida no local e nem pode ser levada pelos freqüentadores. “Montamos uma estrutura com entrada separada. É aberta ao público. Serve porções e funciona de segunda a segunda, das 7h às 18h”.

E foi assim que nasceu o Projeto Pescar. Um amigo de Luiz Fernando Lopes, coordenador da ONG, sugeriu que ele instalasse os tanques no local para criar e vender tilápia. “Demorava seis meses para os peixes atingiram o tamanho de venda e o preço não compensava, daí a idéia do pesqueiro”, disse Lopes. Os internos do Recomeço são responsáveis por todo trabalho de manutenção do local.

Para Lopes, o movimento do pesqueiro é "mais ou menos" - "muito menos no inverno" -, mas a renda tem ajudado a manter a entidade.

Apesar dos esforços, o Recomeço ainda não decolou no item auto-sustentação, por isso mantém um esquema de doação de R$ 12,00 mensais. “Não é bem uma doação. A pessoa se compromete a pagar R$ 12,00 e nós entregamos uma pizza na casa dela, mesmo em Bauru. É uma parceria com uma empresa da cidade. Não somos nós que fazemos a pizza.”

Lopes ressalta que precisa de ajuda. “Precisamos de alimentos básicos, tipo arroz, feijão, óleo, material de limpeza. O próximo projeto do Recomeço é a construção de uma capela. Para isso, eles também estão aceitando materiais de construção.

• Serviço

O Recomeço fica na rua Adilson Silva de Oliveira, 31, Agudos. Telefone (14) 3261-1500.

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Vício

São vários os fatores que levam uma pessoa a se tornar dependente químico, admite Luiz Fernando Lopes, coordenador da ONG Espaço Recomeço. “Principalmente a falta de espiritualidade. A forma de enxergar o mundo, a desestrutura familiar, a falta de limites, a influência das amizades e até a política brasileira.”

Ele acha que muitas famílias criam os filhos dando muito e exigindo pouco. “O primeiro contato com as drogas atinge os jovens a partir de 12 anos e é preciso que a família tenha essa consciência”, alerta.

Na opinião dele, um controle maior sobre o tráfico ajudaria os jovens a ficarem distantes do mundo das drogas. “O traficante deveria ter uma pena mais rigorosa.”

A maioria dos dependentes, lembra Lopes, chega pelas mãos das entidades de apoio. “Alguns chegam por força da família e poucos pelo sofrimento, pela dor. Os jovens chegam contrariados, ninguém quer ficar internado, especialmente porque aqui não tem celular, MP3 e computador para eles se relacionarem com o mundo exterior.”

Na opinião dele, as principais dificuldades enfrentada pelo dependente na busca para se libertar do vício são mudanças de comportamento, de atitude, maneira de pensar, de agir e amizades.

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