Política

Nova usina é prioridade para asfalto

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 5 min

Recentes pesquisas feitas em Bauru diagnosticaram que um dos problemas urgentes no município, em especial na periferia, diz respeito ao asfalto, seja pavimentação ou tapa-buraco. E para a maioria dos candidatos a prefeito de Bauru a solução passa por dois programas: a aquisição de uma nova usina e a solicitação de recursos aos governos estadual e federal.

O quadro atual da cidade foi feito pelo secretário municipal de Obras, Paulo Brittes. Segundo ele, Bauru sofre com mais de 3.500 quadras que nunca foram pavimentadas. Além disso, das 10 mil quadras asfaltadas na cidade, aproximadamente 70% precisariam urgentemente de um recape.

Dois dos prefeitáveis – Clodoaldo Gazzetta (PV) e Caio Coube (PSDB) – confirmaram os números apresentados por Brittes. Ambos, mais Rodrigo Agostinho (PMDB) e Rosa Izzo (PDT), disseram que o município necessita de uma nova usina de asfalto. A que está em funcionamento tem 32 anos e produz cerca de mil metros cúbicos de asfalto por mês. Lá é produzida toda massa asfáltica usada para tapar buracos e recapear as ruas da cidade.

Mas há discordância de valores na avaliação de compra do equipamento pelos quatro prefeitáveis. O montante mais alto foi apresentado por Gazzetta, para o qual uma nova usina custa R$ 2 milhões. Caio citou um valor menor: R$ 1,3 milhão. Para Rosa, o custo seria de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 500 mil para a usina e o restante para maquinário. Rodrigo diz que uma usina pequena custa R$ 400 mil, no entanto, ressalta que Bauru necessita de uma de porte médio.

Os outros dois candidatos a prefeito – José Leme (PHS) e Márcia Camargo (PSOL) – defendem a reativação e manutenção do atual equipamento, priorizando o trabalho na periferia.

Pedidos

Outra proposta para minimizar o problema do asfalto em Bauru é obter recursos no governo estadual e na União.

Rodrigo levanta a bandeira de que a coligação que dá sustentação à sua candidatura é a mesma do presidente da República. Nessa linha de pensamento, pretende elaborar projeto para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mesma tese defendida por Rosa.

O peemedebista também estuda obter linha de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros subsidiados.

Como fonte de recursos na linha de empréstimo, Caio aponta processo a ser encaminhado pelo prefeito Tuga Angerami para empréstimo de até R$ 60 milhões para investimento em infra-estrutura. Segundo o chefe do Executivo, a decisão por assinar ou não o financiamento será do sucessor.

Tanto Gazzetta quanto Leme citam a possibilidade de pedido de verbas a fundo perdido (ou seja, sem contrapartida da prefeitura) para o governo federal.

Márcia lança uma discussão à parte, com menor foco na questão local. Para ela, é necessário que a União e o Estado revejam a concentração de recursos que têm, destinando uma fatia maior aos municípios. Como exemplo, cita o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), cuja arrecadação é dividida igualitariamente entre Estado e município. Segundo a candidata, o governo poderia destinar um percentual maior às cidades, já que tem adotado o programa de concessão de rodovias.

Em relação a metas de asfalto, Rodrigo, Márcia e Leme não apresentaram dados. Rosa cita a produção 1 milhão de m² em quatro anos, atendendo a 35% da demanda da cidade por pavimentação. O tucano aborda a quantia de 1 milhão de m² por ano. Gazzetta aponta como meta para quatro anos 660 quadras de asfalto e 2.500 de recapeamento.

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Plano de governo

Nem todas as informações sobre asfalto passadas ao JC ontem pelos candidatos têm estreita relação com o plano de governo deles, material que foi disponibilizado ao Jornal nesta semana.

Caio, por exemplo, apresentou um plano genérico, com falta de metas e de quantidade. Entretanto, ontem falou na hipótese de incrementar 1 milhão de m² por ano em pavimentação. Para isso, segundo o documento, a opção é buscar dinheiro no Estado e na União, mas de forma abrangente e sem mencionar os canais. O tucano defende também o asfalto comunitário e a recuperação do corredor da avenida Rodrigues Alves.

Rodrigo é outro que apresenta um plano genérico e sem metas. O mesmo quadro foi comentado por ele ontem à reportagem.

Rosa assume quantidade de asfalto e metas. Segundo ela, uma usina nova teria capacidade para produzir 40 toneladas de massa. No plano de governo, ela informa que fará em quatro anos 400 mil m² de recapeamento e 600 mil m² de asfalto novo. O problema é que essa quantidade é insuficiente para atender a 10% da demanda do município e deixa em aberto a possibilidade de promessa de asfalto de graça. Além disso, a candidata do PDT pretende obter recursos através de financiamento, o que irá gerar novas dívidas ao poder público local. Outro ponto é que nas últimas gestões a média de asfalto foi de 1 milhão de m², e os 600 mil m² citados por Rosa respondem a pouco mais da metade disso.

Gazzetta é outro candidato a citar metas. Pretende asfaltar 660 quadras e recapear outras 2.500. O problema dele, segundo consta em seu plano de governo, é que espera obter R$ 5,8 milhões em emendas nos orçamentos do Estado e da União, mas não há garantia alguma de que haverá liberação de dinheiro. O membro do PV também contempla o aumento de 25% para 50% da cota do plano comunitário de asfalto, no entanto não diz como procederá esse mecanismo e quais áreas serão atendidas.

Leme cita em seu documento a recuperação da usina de asfalto e que irá dar desconto de 30% no IPTU para quem mora na periferia, pelo fato de não terem asfalto. A inconsistência está em realizar obra asfáltica com diminuição de receita.

Tanto no plano de governo quanto nas informações dadas ao JC ontem, Márcia opta por um discurso mais filosófico e político e menos na gestão dos problemas locais.

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