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Cana ganha área em SP, mas perde valor, conclui Instituto de Economia Agrícola

Folhapress
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Ribeirão Preto - O avanço de 0,97% da cana-de-açúcar sobre as demais culturas do Estado em área plantada, na comparação entre as safras de 2006 e 2007, contrasta com o recuo de nove pontos percentuais no valor total da produção, segundo o estudo “Valor da Produção Agrícola por Pólo Regional’’, do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura.

Segundo o estudo, o VPA (valor da produção agrícola) total do Estado atingiu R$ 31,8 bilhões, tendo a cana-de-açúcar como o seu principal produto, com participação de 36% no total. Em 2006, a cana respondia por 45% da produção de SP.

De acordo com o diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), Antônio de Pádua Rodrigues, a diminuição do valor da cana se deve à queda do preço pago por tonelada, forçado pela grande produção de álcool no Brasil e de açúcar no resto do mundo.

“Em 2005, no auge do mercado, a tonelada de cana-de-açúcar chegou a custar R$ 52. Hoje, não passa de R$ 35'’, afirmou o dirigente. Segundo Rodrigues, o panorama deve ser diferente - e muito mais animador para os produtores - na safra deste ano. “Se o real se mantiver estabilizado, acredito que o resultado será bem melhor”, disse.

Segundo o levantamento do IEA, a cana-de-açúcar continua sendo o carro-chefe das economias agrícolas de dez dos 16 pólos, segundo divisão da Secretaria da Agricultura. Entre eles os pólos Alta Mogiana (Colina), Centro Leste (Ribeirão Preto) e Nordeste Paulista (Mococa), que fazem parte da macrorregião de Ribeirão.

Nas seis regiões onde a cana ainda não lidera a produção, duas delas têm como principal cultura a carne bovina. As outras têm base na banana, laranja para indústria, ovos e milho.

A carne bovina aparece em segundo lugar na divisão feita pelo IEA. Além de dominar a economia no Vale do Paraíba (Pindamonhangaba) e na Alta Sorocabana (Presidente Prudente), aparece como segunda principal cultura em outros oito pólos. No total, representa pouco mais de 10% no Estado.

No pólo Centro Leste, que representa 35 das principais cidades da região de Ribeirão Preto, a cana-de-açúcar também domina, com representatividade de 55,4% do valor de produção. O número, no entanto, é menor do que os 57,6% medidos na pesquisa de 2006, o que significa queda de 2,2%.

“Os números mostram que, de momento, a cana aqui estagnou e perde em espaço e preço para outras culturas. Mas é bom lembrar que o domínio ainda é grande’’, afirmou o diretor do pólo Centro Leste, José Ramos Nogueira.

Segundo o IEA, a laranja para indústria (13,3%), a carne de frango (9,4%) e a laranja de mesa (7,8%) são as culturas que aparecem mais bem colocadas, além da cana. Em quarto, com apenas 2% de representatividade, aparece a carne bovina, cultura para a qual a cana deve perder espaço na região, de acordo com Ramos Nogueira.

Apesar do recuo, a massificação da cultura da cana ainda está longe de deixar de atrapalhar os demais produtores e até o consumidor da região, que paga mais caro nos supermercados pelos produtos básicos, que têm de vir de mais longe.

“A cana de fato atrapalha. Como precisamos do milho para ração, por exemplo, temos que andar cerca de 300 km para achar. Encarece nosso produto final”, disse Donizete Maia, gerente da Cooperativa Agrícola de Guatapará, uma das maiores produtoras de ovos da região.

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