Bairros

Originalidade é marca de carros antigos

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru possuí hoje diversos colecionadores de veículos. Alguns desses carros chegam a ter 50 anos ou mais. A maior parte desses aficionados se encontra reunida em clubes e associação e participam de eventos na cidade e região para mostrar suas raridades.

O Clube de Carros Antigos do Centro Oeste Paulista, com sede em Bauru, é um dos pontos de encontro de colecionadores. Há associados em todo o Estado e inclusive fora dele. Fundado há 10 anos, tem em setembro sua maior data: a exposição de antigomobilismo, que reúne durante três dias no Recinto Melo de Moraes dezenas de veículos antigos, além de jardineiras, bicicletas e motocicletas antigas. Participam também do evento integrantes do “mercado de pulgas”, que são pessoas que vendem peças para automóveis antigos.

Mesmo sem possuir um carro antigo, Francisco Adriano Chies é associado do clube e participa ativamente de suas ações. “O que vale é o gosto por veículos do tipo”, justifica. De acordo com Chies, que também responde como relações-públicas do clube, atualmente são quase 100 associados ativos.

Ângelo Peretto Sobrinho é sócio do clube desde sua fundação. Ele é dono de dois Fuscas e recentemente adquiriu um Galaxie, exemplar do ano de 1948, que estava exposto no Museu de Gramado (RS) há 13 anos. O colecionador também possui um Ford Fairlane, fabricado em 1959, também adquirido recentemente.

Peretto Sobrinho é colecionador desde 1978 e diz que mantém essa paixão porque lhe ajuda a recordar sua infância. “Não coleciono só veículos, tenho geladeiras e outras peças que remetem à minha infância e me fazem voltar ao passado”, explica.

Outro clube que promove eventos é o Fusca Club de Bauru, que em 1 de agosto realizou um encontro de proprietários desses veículos. No dia, mais de 60 modelos de diversos anos ficaram expostos para visitação. O carro, que nasceu na década de 30, para ser acessível às famílias do povo, desembarcou no Brasil no final dos anos 50 e hoje em dia ainda circula em forma de raridade ou em versões mais atuais.

Arnaldo César Dias Martins é dono de um Fusca fabricado em 1969 e que sempre pertenceu à família. O carro foi adquirido por uma tia que 19 anos depois vendeu para Martins, que no início conta que não entendia o interesse das pessoas pelo veículo. “Foi depois de um ano que eu compreendi que se tratava de uma raridade”, conta.

Com o carro há quase 20 anos, Martins conta que desmontou e reformou o veículos praticamente inteiro. De acordo com ele, o Fusca possui cerca de 95% de sua estrutura original. “O veículo é valioso em termos sentimentais e não tem preço para venda”, avisa. “Para se ter uma idéia do quanto é uma raridade, precisei investir apenas R$ 4.500,00 para reformas necessárias, sendo que para se restaurar um veículo na idade dele hoje seria preciso no mínimo R$ 10 mil”, completa Martins.

Márcio Belone fez o contrário. Ele investiu R$ 28 mil no seu Fusca fabricado em 1980 e hoje só vende o veículo por R$ 35 mil. O carro ganhou os bancos originais do Celta, injeção eletrônica e motor 1900 com 318 cavalos. “A parte externo foi inteira mantida, é totalmente original”, conta. Belone diz que pretende agora adquirir um novo veículo para transformá-lo em conversível.

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Antigo ou velho

Misturar carro antigo com carro velho é uma das confusões mais típicas do meio. O engenheiro Marcos Serra Negra Camerini, consultor da coluna Dr. Automóvel, veiculada toda semana no caderno AutoMercado&Cia, chamou a atenção para a confusão recentemente.

“Um carro muito rodado, sem manutenção adequada, amassado e fosco é realmente um carro velho. Já um carro para ser considerado antigo tem que representar um modelo específico, com idade superior a 30 anos, mantendo todas as características originais e com manutenção perfeita, isto é, andando direitinho”, explica.

De acordo com ele, um carro antigo deve ser original até o limite, pois algumas coisas não dão para manter, seja porque se tornaram irrecuperáveis ou porque não são mais produzidos. Um colecionador providencia restauração completa do veículo, tanto da carroceria quanto da parte mecânica.

“Eles visitam ferros-velhos e desmanches em busca de detalhes”, explica Camerini. Outros chegam a importar pneus em medidas aqui inexistentes só para deixar o carro com a mesmas características com que foi concebido pela fábrica ou montadora dentro ou fora do Brasil.

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Sem preços de tabela

É praticamente impossível imaginar um produto que não tenha um preço definido, mas essa é a situação com que se depara quem procura um carro antigo para comprar. Muitas vezes, um veículo que preço estipulado no mercado por R$ 7 mil, por exemplo, pode custar o dobro desse valor ou muito mais.

Isso acontece porque no mercado de veículos antigos o que predomina, na verdade, é o sentimento do proprietário em relação ao veículo. Além disso, carros com estofamento e pintura original valem muito mais na hora da venda.

Somado à questão sentimental, o valor desses veículos varia muito. Um Landau da década de 70, por exemplo, de acordo com revistas especializadas, varia de R$ 15 mil a R$ 30 mil. Uma Variant ou uma Kombi pode chegar a R$ 15 mil. Um Opala conversível ou um Ford Sedã, ambos fabricados na década de 60, podem custar de R$ 50 mil a R$ 100mil.

De acordo com as regras em vigor no País, para ser considerado antigo o carro precisa ter sido fabricado há mais de 30 anos, e os itens dele têm de ser todos originais. Para obter placa preta do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que identifica o modelo como exemplar de coleção, antes o veículo precisa ser avaliado por um clube organizado de colecionadores.

De acordo com a assessoria de imprensa do Denatran, ainda é preciso apresentar o Certificado de Originalidade reconhecido pelo órgão e que será concedido junto à entidade credenciada. A placa que identifica o colecionador custa em Bauru R$ 127,29, sendo que R$ 57,29 correspondem a uma taxa que é repassada ao governo e o restante, R$ 70,00, ao valor da placa.

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