Polícia

PM morto: duas armas foram acionadas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O resultado dos exames periciais realizados nas armas apreendidas na morte do policial militar Luís Gustavo Carreira - que no final de julho foi atingido por três tiros efetuados pelo também policial militar Halley Thiago Sossai - mostram que houve disparos das duas pistolas. A informação é da 4.ª Auditoria da Justiça Militar, que também relata que no exame residuográfico realizado nos dois policiais apenas na mão de Sossai foi detectada a presença de micropontos de chumbo.

Os dois laudos foram encaminhados ao promotor da Justiça Militar Delton Pastore, que hoje deverá manifestar seu parecer sobre o caso. Ele pode oferecer denúncia contra Sossai ou solicitar ao juiz o arquivamento do caso.

Segundo a 4.ª auditoria do Tribunal de Justiça Militar, os laudos elaborados pelo Núcleo de Perícia Criminalística da Polícia Científica, as duas armas foram disparadas. No local do crime, os peritos encontraram sete projéteis deflagrados, conforme publicado pelo Jornal da Cidade no dia seguinte ao homicídio.

Informações obtidas pela reportagem dão conta que dois desses projéteis coincidem com a arma de Carreira, uma pistola Taurus com capacidade para 12 balas, mas que tinha apenas 10 no pente.

Porém, de acordo com a 4.ª auditoria, o exame residuográfico detectou micropontos de chumbo somente nas mãos de Sossai, que teria disparado cinco vezes com a sua pistola Glock. Nada foi detectado nas mãos da vítima.

Contudo, o exame residuográfico é considerado uma prova referencial, de orientação, e não pode ser empregado para determinar se a pessoa realmente disparou ou não uma arma. Ele é somado a outros indícios e evidências que vão compor essa questão. Um resultado negativo não significa, por exemplo, que o suspeito, o indiciado ou a vítima, não tenha utilizado arma de fogo. Significa que, nas condições do exame, não foram detectados ou identificados resíduos característicos dos produzidos por meio de disparo de arma de fogo.

Já uma pessoa que apresenta as substâncias também pode não ser a autora dos tiros. Como há dispersão dos resíduos na hora do disparo, se alguém estiver próximo, pode acumular esses elementos. Dos laudos elaborados pela Polícia Científica ainda faltam os resultados dos exames de dosagem alcoólica e toxicológico tanto da vítima quanto de Sossai.

Adilson Sartorello, advogado da família da vítima, pondera que apesar de se tratar de uma prova referencial, o resultado do laudo residuográfico é importante. “Começa a cair por terra a tese de legítima defesa”, avalia. Sossai, por sua vez, alega que só teria disparado após Carreira ter atirado contra ele. O policial continua preso no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital.

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O crime

Na madrugada do dia 26 de julho, o policial militar Halley Thiago Sossai, 24 anos, matou o também policial militar Luis Gustavo dos Santos Carreira, 26 anos, com três tiros. O crime ocorreu em frente à casa da vítima, na Vila Monlevade, em Bauru. Ambos são naturais da cidade, mas não trabalhavam no município, nem se conheciam. Sossai era lotado em Piracicaba e Carreira, em Lençóis Paulista. Os dois estavam de folga e à paisana no momento dos disparos.

Segundo a versão de Sossai, ele se deparou com o veículo dirigido perigosamente por Carreira na rodovia e foi orientado pelo Centro de Operações da PM (Copom) a acompanhá-lo, depois que o rapaz entrou na cidade.

Quando pararam os respectivos automóveis no endereço residencial de Carreira, teria havido uma discussão e os disparos foram feitos. Carreira chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

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