Quando Zeus passou a emagrecer muito, tornou-se motivo de preocupação para a família do representante comercial Reginaldo Silveira. Suspeitaram que o pit bull pudesse ter contraído leishmaniose. Como primeira medida, procuraram o Centro de Controle de Zoonoses (CZZ). Souberam, então, que o município não dispõe mais de kit sorológico para atestar, individualmente, a doença em cães. A informação surpreendeu.
Silveira não sabia que a coleta de amostras de sangue dos animais só é realizada em áreas de investigação da doença. Antigamente, frente a qualquer suspeita clínica, o teste podia ser feito. “Neste ano, mesmo na área de inquérito, é muito pequeno o número de cães que passaram pelo exame sorológico”, admite Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, veterinário e chefe de seção do CCZ.
De acordo com ele, o racionamento dos kits foi uma determinação da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), diante da escassa produção do laboratório Bio Manguinhos, único no Brasil a fabricar este tipo de produto. Como a demanda aumentou muito, a falta foi sentida no País inteiro, comenta. Diante disso, são utilizados especificamente como ferramenta de controle da doença no município, uma vez que a orientação é para o uso racional do volume limitado dos testes.
Normalmente, o bairro submetido a inquérito sorológico é aquele que apresenta humanos infectados ou grande transmissão de leishmaniose - sempre a partir de análise técnica. Só neste ano, 31 pessoas foram infectadas com a doença, com seis mortes. Por medo de suas conseqüências, o representante comercial Reginaldo Silveira procurou uma clínica particular para checar se Zeus estava mesmo contaminado.
Emergência
Após pagar R$ 50,00 e aguardar por 15 dias o diagnóstico, veio a confirmação da doença. Era justamente sábado. “Liguei para o plantão do CCZ e ninguém atendeu”, comenta. Ele acionou a clínica veterinária e Zeus foi sacrificado em sua casa, onde o corpo permaneceu. Segundo o especialista procurado por Silveira, o animal deveria ser incinerado. A informação, segundo Cortez, não procede. “Vão para vala séptica do aterro sanitário”, explica.
O chefe de seção ainda informa que o plantão do CCZ só é acionado via 190 para casos de emergência. “Fica uma pessoa de sobreaviso em casa. Não é para ligar para o plantão se o cão ficou doente no final de semana, se a suspeita é leishmaniose”, explica. A Polícia Militar acionaria o órgão se um cão tivesse, por exemplo, atacado uma criança e devesse ser recolhido. No caso do representante comercial, ele teria de ter aguardado o expediente normal, acrescenta Cortez.
“Não é uma emergência. Não temos expediente no final de semana”, ressalta. Ainda segundo o veterinário do CCZ, de segunda a sexta-feira, Zeus seria recebido e passaria pela eutanásia. “O método aqui é o melhor que existe. É feito com injeção intravenosa. É um anestésico. Na dose que a gente aplica, ele (o cão) dorme, entra em analgesia profunda e acaba morrendo”, conclui.