Cultura

Composto há 56 anos, ‘Hino a Bauru’ difunde as características da cidade

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A criação de símbolos que traduzam uma cidade podem produzir uma relação entre o lugar e os moradores e visitantes. Ao compor a letra e música do “Hino a Bauru” há 56 anos, o baiano Manoel Domingo de Oliveira embutiu na composição referências à cidade que resistem ao passar do tempo.

Em vários trechos, Manoel, músico que tocava vários instrumentos, frisou termos que traduzem Bauru. Na primeira estrofe, cita a inconfundível “terra branca”, característica facilmente identificável em qualquer parte do Município.

Um dos símbolos de resistência ambiental ao desenvolvimento da cidade, a gigante copaíba da avenida Getúlio Vargas, bem que pode estar retrada já no início da letra. No entanto, em 1952, o autor não podia imaginar que aquela, entre milhares de árvores, ganharia tal significado para a comunidade. Mas registrou na letra porque era um atento observador do desenvolvimento urbano. Exatamente a modificação constante do município levou Manoel a compor letra e música para homenagear Bauru.

Seu filho Hermógenes de Oliveira, 81 anos, acredita que o pai foi inspirado pelo ambiente da época. Segundo Hermógenes, naquele tempo, era mais comum a vinda de orquestras sinfônicas. O pai não perdia uma apresentação e se entusiasmava ao som da música orquestrada. “Talvez por aí, ele se inspirou para fazer uma música”.

Manoel nasceu em Santa Rita do Rio Pardo, na Bahia, e inicialmente, se fixou em Pirajuí, ao mudar-se para o Estado de São Paulo. Trabalhou e se aposentou na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Se transferiu para Bauru em 1930. Homem de muitas facetas, Manoel, além de chefe de trem, era farmacéutico. Compôs várias músicas e tocava flauta, violão e bandolim. Ao compor o “Hino a Bauru”, em abril de 1952, recebeu apoio político do então prefeito Otávio Pinheiro Brisola e de vereadores. Porém, por coisas que só acontecem no ambiente político, o projeto de lei não foi aprovado. Apenas em julho de 1993 é que a composição de Manoel foi oficializada pela Prefeitura de Bauru, com a obrigatoriedade da execução do hino em todas as festas oficiais do Município e nos estabelecimentos de ensino, como frisa o parágrafo único da legislação que o instituiu.

Vida à música

Coube a Hermógenes a tarefa de colocar as “pintas” na partitura, após o pai finalizar a composição. O sargento Antonio Lazarine, então maestro da banda da Polícia Militar, escreveu as partituras para vários instrumentos de sopro do grupo musical que regia. Por iniciativa de Lazarine, a música de Manoel, ainda que não oficializada, passou a ser tocada em solenidades cívicas do município. Manoel faleceu em 1 de março de 1968, em Bauru.

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