Internacional

Termina guerra entre Rússia e Geórgia

Folhapress
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Rússia - A Geórgia aceitou um plano de cessar-fogo que a França negociou com a Rússia em nome da União Européia, pondo fim à guerra de seis dias, no Cáucaso, pelo controle das regiões autonomistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que exerce a presidência rotativa da UE, esteve durante o dia em Moscou, negociando com o presidente Dmitri Medvedev, e, no final da tarde, rumou para Tbilisi, a capital georgiana, onde se avistou por quatro horas com o presidente Mikhail Saakashvili.

Já na madrugada de hoje, (horário local), Sarkozy e Saakashvili anunciaram acordo em torno de um documento em seis pontos, que prevê negociações internacionais sobre o futuro da Ossétia e de outra região autonomista, a Abkházia.

O plano aparentemente reconhece apenas aos russos o direito de manter militares nesses territórios. A Geórgia sai enfraquecida, mesmo se Saakashvili afirmasse, ao lado do presidente francês, que não aceitará o comprometimento de sua integridade territorial.

“Não temos ainda a paz. Mas chegamos a um acordo para a interrupção dos combates”, disse Sarkozy, em Moscou. Afirmou ainda que ‘os russos não têm a intenção de permanecer na Geórgia”.

O plano prevê a cessação das hostilidades, veta o emprego da força, dá acesso às missões de ajuda humanitária e prevê discussões da comunidade internacional sobre a Ossétia do Sul e da Abkházia, que na prática se tornaram, em 1992, espécies de ‘protetorados” da Rússia.

Histórico

A guerra começou quando a Geórgia invadiu a Ossétia do Sul para reincorporá-la ao seu território. Forças russas então tomaram a Ossétia e passaram a atingir alvos na Geórgia que não estavam em litígio. Ontem, asseguraram o controle da Abkházia.

Forças de paz russas

Pelo plano, os contingentes militares da Geórgia retornam para suas bases, e os contingentes da Rússia, mesmo recuando, ‘tomarão medidas adicionais de segurança”.

Moscou já mantinha contingentes militares na Ossétia do Sul e da Abkházia desde 1992, quando um acordo com Tbilisi selou a autonomia das duas regiões russófilas.

Essas ‘medidas adicionais”, segundo o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, significam retaliar militares georgianos, caso não se recolham aos quartéis. De modo indireto, o Kremlin agora rejeita a presença de 500 militares georgianos na Ossétia do Sul, garantida pelo armistício de 1992.

O ‘Financial Times” diz que Sarkozy fez uma concessão de peso a Medvedev, abrindo mão da idéia de uma força internacional formada por militares europeus. A solução fora proposta na véspera por Saakashvili, ao receber o chanceler francês, Bernard Kouchner. Ontem, o presidente georgiano havia rejeitado a presença de militares russos numa força de paz, afirmando que as consideraria como ‘tropas de ocupação”.

Na entrevista do Kremlin, ao lado do presidente francês, Medvedev afirmou que as forças russas permaneceriam na Ossétia do Sul e na Abkházia, apesar da oposição da Geórgia.

A missão de Sarkozy acabou por eclipsar as demais articulações diplomáticas geradas pelo conflito.

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