Quantos bauruenses defendem o término do viaduto sobre as ferrovias? Por prioridade, a conclusão da duplicação da avenida Comendador Martha é mais ou menos importante que a construção da discutida Nações Unidas Norte? Estes e outros pontos surgem com respostas diferentes entre os planos de governo dos candidatos a prefeito em Bauru no capítulo sobre infra-estrutura e transportes.
Os programas entregues pelos candidatos na eleição 2008 indicam que alguns planos não arriscam a inclusão de obras viárias talvez para não ficar com a obrigação de responder como estas ações seriam viabilizadas. Mas o que chama a atenção na leitura dos seis documentos entregues é a ausência de menção, ou pelo menos intenção, de realizar ou discutir obras como o viaduto inacabado, citado apenas por um candidato (Clodoaldo Gazzetta), a necessária recuperação da avenida Rodrigues Alves, principal corredor viário da cidade que também foi lembrada apenas por um dos concorrentes (Caio Coube) ao Palácio das Cerejeiras.
E em matéria de eleição, onde o discurso de propaganda costuma ignorar temas “ruins de voto”, a problemática das enchentes e das erosões saltam aos olhos. Para uma cidade que coleciona crateras imensas e em franco crescimento em diferentes regiões de fundos de vale, situação agravada por solo arenoso, surpreende negativamente a presença dessas deficiências urbanas nos programas de apenas dois candidatos (Rodrigo Agostinho e Caio Coube).
Mas se o comedimento na hora de elencar prioridades e desafios em infra-estrutura for explicado pela reduzida capacidade de investimento (R$ 5,6 milhões sem vinculação obrigatória no orçamento de 2009), o argumento não se sustenta: os próprios candidatos elencam outras tantas obras e programas e, para eles, a sustentação, em geral, é a “ação política junto aos governos estadual e federal na busca de recursos”, medida sob a qual não há garantia de retorno.
Outro dado curioso na apresentação dos programas de governo: o propalado aeroporto Moussa Tobias, citado a exaustão como o principal foco de desenvolvimento da economia regional para os próximos anos, aparece com sugestão apenas dentro dos programas de Caio e Rodrigo.
Planos viários
O mapa de vias, interligações de bairros e promessas de conclusão ou início de novas avenidas não é o mesmo entre os candidatos a prefeito.
José Leme (PHS) fala em abrir ruas, construir avenidas e ligar todos os bairros, tudo no plural: meta impossível para o comprometido orçamento municipal. Caio Coube (PSDB) lista a recuperação da avenida Rodrigues Alves, a ação política junto ao Estado para o cumprimento da já prometida avenida Nações Unidas Norte, a interligação de bairros e ciclovias.
Mas quem nomina o maior número de interligações, com endereços, é Rodrigo Agostinho (PMDB), com avenidas como a Nações Norte, Água do Sobrado (paralela á Castelo Branco), Água Comprida (que cortaria da Rodrigues até a Nações, na altura da baixada do Sambódromo), além da conclusão da extensão das pistas duplas da Lúcio Luciano e Comendador José da Silva Martha.
Como os demais que arriscaram citar obras viárias de porte, Agostinho deixa claro que a fonte de verbas será da União ou Estado. Ou seja, se não vir recurso de fora é melhor esperar a eleição de 2012. O peemedebista, ainda assim, escreve em letras garrafais que vai elaborar o Plano Municipal de Mobilidade e Transporte, conforme prevê o Plano Diretor (PD). Elaborar é diferente de realizar.
Rosa Izzo (PDT) promete atacar, se eleita, a avenida do Sobrado (com um adendo: iniciar), fazer a ligação da rua das Festas com a região da Unesp, no Geisel e da Quinta da Bela Linda com o Jardim Ivone. Esses dois itens não aparecem nos planos de nenhum dos demais candidatos. Entretanto, na ação de Rosa não estão itens como ciclovias, plano de drenagem e erosão.
Clodoaldo Gazzetta (PV) se arriscaria a construir dois viadutos, terminar o inacabado, no Centro, e instalar um sobre a avenida Comendador José da Silva Martha, fato que não aparece no programa dos demais. Rodrigo fala em terminar o prolongamento da Comendador, mas Caio não toca no assunto. Em se tratando do candidato do PV, ele afirma que os recursos para as obras na Comendador Martha já estão garantidos junto à União, fato não consolidado até agora. O projeto está em andamento, assim como a promessa de execução.
Mas os planos de governo trazem outras inúmeras distinções (veja quadro abaixo) e ‘esquecimentos’ inexplicáveis, como o aeroporto, sitado apenas por Caio e Rodrigo.
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Márcia
- Conselho Popular define políticas e Congresso delibera
- Municipalizar transporte coletivo
- Passe livre para jovens e idosos
- Criar praças arborizadas com espécies adequadas
- Reconstruir o Plano Diretor, respeitando o Estatuto das Cidades e definindo ações viárias
- Implantar IPTU progressivo, realizar iluminação pública para pessoas de baixa renda, calçadas e novas obras
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Caio
- Dotar Distritos Industriais de infra-estrutura
- Instalar novo Distrito perto de Tibiriçá
- Meta de 1 milhão m2 de asfalto por ano
- Montar centro logístico no novo aeroporto
- Gestão por ramal ferroviário e terminal
- Revitalizar o Centro e a estação ferroviária
- Combater erosões e ampliar praças e bosques
- Recuperar o corredor da Rodrigues Alves e construir Nações Norte
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Rodrigo
- Plano de Mobilidade
- Buscar recursos para avenidas Água do Sobrado, Água Comprida, Lúcio Luciano e Comendador Martha
- Lutar por terminal de cargas no aeroporto e criar plano cicloviário
- Readequar integração do transporte coletivo e revitalizar o Centro
- Melhorar as estradas rurais e estudar criação da Guarda Municipal
- Dotar Distritos Industriais de infra-estrutura e implantar um novo perto do aeroporto
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Rosa
- Atingir 1 milhão de m2 de asfalto novo e 400 mil m2 de recape
- Asfalto de graça
- Instalar usina de asfalto de 40 toneladas
- Empréstimos no BNDES e CEF para programas de asfalto
- Iniciar a construção da avenida Água do Sobrado
- Infra-estrutura dos Distritos Industriais e retomar áreas ociosas
- Ligar a rua das Festas com a Unesp e a Quinta da Bela Olinda com o Jardim Ivone
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Leme
- Realizar limpeza em todos os bairros
- Fazer abertura de ruas, avenidas e interligações em todos nos bairros
- Realizar tapa-buracos em todos os bairros
- Acompanhar obras nas ruas e fazer asfalto de graça na periferia
- Construir praças e reformar a praça Rui Barbosa
- Instalar nova usina de asfalto e reformar a atual
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Gazzetta
- Estudo intersetorial da malha ferroviária
- Buscar R$ 5,8 milhões ao ano para asfalto
- Assumir 50% do custo com Plano Comunitário
- Instalar usina de asfalto ecológica
- Realizar 2.500 quadras de recapeamento
- Finalizar o viaduto no Centro, remodelar região
- Duplicar trecho da Comendador Martha
- Criar plano de fluidez no trânsito
- Replanejar o transporte coletivo
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Metas de asfalto
Todos os candidatos falam em programas de asfalto. O que destoa é a timidez ou exagero nas metas de execução. Márcia Camargo (PSOL), por exemplo, define que os Conselhos Populares vão instruir as prioridades, tanto em asfalto quanto em ligações viárias, e a deliberação sairá do Congresso da Cidade, mas não menciona.
A principal reivindicação vinda da periferia levou Rosa Izzo (PDT) a ampliar sua própria estimativa inicial de realizar asfalto novo de 600 mil m2 para 1 milhão de m2 em quatro anos, além de outros 400 mil m2 em recape. Para se ter um parâmetro do prometido, o governo Tuga Angerami realizou não mais que 400 mil m2 entre recape e pavimento novo de janeiro de 2005 até julho passado.
O detalhe é que Rosa Izzo insiste que o asfalto em rua de terra será de graça para a população da periferia. A questão em aberto é a fórmula para bancar asfalto sem cobrar Contribuição de Melhoria (CM) e sem infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). José Leme (PHS) também ataca com a sedução do asfalto ‘grátis’, exagera ao prometer interligar todos os bairros e tapar todos os buracos.
Caio Coube não escreveu indicadores no programa de governo, embora em entrevista tenha mencionado que quer atingir a superestimada meta de 1 milhão de m2 por ano. Seria imaginar algo não atingido nem pela soma do que foi feito em asfalto por Tidei, Izzo, Nilson e Tuga, entre 1993 e 2007.
Se Caio aponta para algo distante do real, Rodrigo nem meta informa. Idem para Leme e Márcia Camargo. Entre exageros ou evasivas, em matéria de metas de asfalto Rosa Izzo figura firme dentro da realidade do caixa para quatro anos. Mas como todos podem ser agraciados com ´cheques´ federais e estaduais, o que era meta pode até virar citação além da estimativa.