O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), João Batista Inocentini, esteve ontem em Bauru para discutir com os sindicalistas locais as propostas do Congresso Nacional do Sindnapi, que será realizado nos dias 2, 3 e 4 de setembro, em Americana. O tema central será a recomposição do poder de compra das aposentadorias, além da reorganização do sindicato.
Inocentini salientou que, nos últimos anos, o poder de compra do salário mínimo vem sendo recomposto, apesar de não ser o salário ideal. No entanto, as aposentadorias não acompanharam a evolução do mínimo, segundo ele. “Os aposentados que ganham acima do salário mínimo estão perdendo seu poder de compra a cada ano que passa. Então, nossa luta é para recuperar os benefícios desses oito milhões de aposentados”, disse.
Segundo ele, já foram feitas várias reuniões com o governo, que se mostrou disposto a discutir o assunto. Em cima disso, os aposentados devem preparar um calendário para começarem as conversas, logo após o congresso. “O importante é começar, nem que demore alguns anos para repor essas perdas. A gente sabe que não é do dia para a noite que isso vai ocorrer, mas o importante é começar e fazer uma política igual ao salário mínimo: chegar o momento certo para que todo mundo tenha seu poder de compra restabelecido”, salientou.
Um dos tópicos que o presidente do Sindnapi fez questão de apontar é o fato de os benefícios não serem vinculados ao salário mínimo. De acordo com ele, se os aposentados começarem a pedir o mesmo reajuste, vai chegar uma hora que o governo decidirá reajustar os benefícios de todos pelo INPC. “E nós vamos prejudicar quase 18 milhões que ganham o salário mínimo. O que nós queremos é que o poder de compra seja recomposto. Eu costumo usar um exemplo simples: quando me aposentei, com meu benefício eu comprava 100 quilos de carne, hoje eu não compro 60 quilos. Quer dizer, eu perdi 40 quilos de carne”, destacou, lembrando que só os planos de saúde tiveram reajuste de 20% em média. “O aumento do aposentado não deu para pagar o aumento do plano de saúde dele”, disse.
Sindicato
Além de discutir a reposição das perdas nos benefícios, o Congresso Nacional do Sindnapi vai avaliar a atuação do sindicato nos Estados e municípios. Segundo Inocentini, quando o Sindnapi foi criado, as ações foram centralizadas em nível nacional. A idéia agora é democratizar o sindicato dando poder para o Estado e para o município.
“Nós entendemos que o grande problemas do aposentado não é só Brasília, o grande problema é a cidade que ele mora. É aqui em Bauru, por exemplo, que ele tem o problema de assistência à saúde, de medicamento, de IPTU, transporte, segurança e uma série de coisas, como as calçadas cheias de buracos. E nós queremos que nossa direção municipal tenha poder e representação dentro da cidade”, salientou.