A greve deflagrada ontem pela manhã pela Polícia Civil, que em Bauru teve ato no qual os policiais usaram mordaça, foi suspensa sete horas após ter sido iniciada. Por força da paralisação, o impasse com o governo do Estado será resolvido no Tribunal Regional de Trabalho (TRT). Trata-se do primeiro dissídio em 103 anos de existência da instituição em São Paulo, segundo as entidades de classe.
Por intermédio de acordo obtido em reunião realizada no próprio tribunal ontem à tarde, a categoria decidiu voltar à labuta na própria quarta-feira, sem limitação de efetivo e trabalho - como havia acontecido até as 18h. No entanto, até a próxima quarta-feira, quando uma comissão (composta por representantes de associações policiais, sindicatos e governo) se reunirá para deliberar sobre a melhoria dos salários, o atendimento nas delegacias respeitará a chamada “operação padrão”.
Nesta situação, cada policial desempenhará especificamente sua função. O investigador, por exemplo, não fará mais boletim de ocorrência como acontece no plantão da Polícia Civil diariamente (para agilizar o atendimento à população em virtude da deficiência no número de escrivães), explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp).
“A greve pode ser reiniciada a qualquer momento. O “estado de greve” continua. É a primeira vez que vai a dissídio. Estamos fazendo história. Conseguimos romper uma barreira, é inédito”, ressalta ele. A informação foi comemorada ontem em Bauru por mais de 60 policiais que se reuniram, no início da noite de ontem, para avaliar o movimento.
“O governo não vai mais apresentar proposta para nossas entidades de classe, mas para a Justiça do Trabalho. Sob a supervisão de um representante da assessoria econômica-financeira do TRT-SP. Também participará representante do Ministério Público do Trabalho”, acrescenta José Carlos de Oliveira, delegado da Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo.
Para ele e Cunha, o governo terá de explicar como não tem dinheiro se a arrecadação aumentou e como a Lei de Responsabilidade Fiscal engessaria a administração uma vez que está 10% inferior ao disposto. “A greve superou qualquer expectativa. Foi 100% de adesão em Bauru. Todos seguiram o que o comando de greve determinou”, conclui Cunha.