No norte de Múrcia, nas terras altas, está Jumilla, a cidade mais importante da rota do vinho, terra da uva Monastrell, uma das melhores variedades do mundo. A uva é ali cultivada desde tempos remotos. Produz excelente bebida graças ao clima seco, de poucas chuvas durante o ano e o solo pedregoso.
Os turistas podem fazer excursões de degustações pelas suas “fincas”, pequenos sítios que abriga a casa senhorial com parreirais a sua volta. É divertido ajudar nas colheitas, mais para chupar uvas e comer os “bocadillos” servidos aos trabalhadores. Obviamente degustar o vinho potente, expressivo e com cores violáceas. E depois fazer a “siesta” à sombra.
Os vinhos de Jumilla são exportados para o mundo todo pelo sabor de frutas vermelhas, a suavidade e o “desce redondo” difícil de ser superado. Os vinhos jovens, mas de bom corpo, são chamados de “crianzas”. A uva de colheita tardia produz o vinho doce que mostra toda a potência da concentração de açúcar da variedade Monastrell. Também as cepas Tempranillo e Shiraz são muito utilizadas.
Além do vinho, o turista pode desfrutar da complexa gastronomia da região. Jumilla está no “Livro dos Recordes”, do Guiness, por fazer todos os anos a maior paella do mundo, para os seus 100 mil habitantes. A paejera tem 20 metros de diâmetro e pesa 30 toneladas. Só de arroz são 30 mil quilos.
A influência mediterrânea e manchega (de La Mancha) combinam pratos saborosos e de grande valor energético. O prato mais conhecido é o Gazpacho Jumilliano, de tradição judia, que se elabora com carne de caça – perdizes, codornas. O arroz com coelho e o cabrito frito com alhos também fazem parte da cozinha murciana.
Os queijos que acompanham os vinhos são famosos em toda a Europa, principalmente os de leite de cabra da raça murciano-granadina, de textura cremosa e sabor agradavelmente ácido. Também é apreciado o queijo de ovelha envelhecido em manteiga. A massa amadurece durante dois meses na bodega, coberto de manteiga. Depois descansa mais dez meses. É a melhor das delícias disputadas pelos gourmets europeus. E o jamón ibérico?! O presunto cru único no mundo vem do pernil de uma raça de porcos criados soltos e que se alimentam das bolotas (frutos) que caem dos carvalhos centenários.
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De palácio mouro a monastério
O Real Monastério de Santa Clara abriga uma parte importante da arte e da história de Múrcia. O convento de monjas franciscanas foi fundado sobre um palácio islâmico do século 13 construído pelo emir Ibn Hud, no tempo em que os árabes dominavam a Península Ibérica. Converteu-se em Casa Real da monarquia castelhana.
No início da Idade Moderna, durante o reinado dos reis católicos Fernando e Isabel, foram erguidas duas galerias góticas que hoje se harmonizam com o que sobrou e é conservado dos pórticos de arabescos.
O claustro do monastério ainda segue o que, originalmente, foram os jardins do palácio andaluz. A vegetação cultivada reproduz, em parte, a flora original de palmeiras, cerejeiras, frutas cítricas, figueiras e romãzeiras. A união da água e da vegetação cria um sugestivo ambiente característico dos palácios islâmicos, onde a água foi sempre elemento presente para os fiéis fazerem as abluções ordenadas pelo Alcorão.