Construindo a ferrovia pelo longínquo sertão
Conforme a linha avançava causava destruição
Trabalhador nas picadas de quando em quando marcava
Um canteiro de estação
Eram muitos acampamentos de obras implementadas
Com anzóis varas e linhas e espingardas pra caçada
Carne e peixe com fartura essas bravas criaturas
Mata adentro penetravam onde hoje á Araçatuba, ouvi meu avô contar.
No trecho mais avançado no sertão do aracanguá estava pronta a estação marcado a inauguração esperando o trem chegar.
Os índios sendo acuados em seu próprio habitat
Tentando se defenderem mas sem ter como lutar
Com arco flecha e tacape ensaiavam alguns ataques pro homem branco parar.
Naquele fundão de vale por onde o trem serpenteava
Sua ferragem estrondeava ecoando dentro da mata
O cacique observava do alto de uma figueirona
Aquela coisa medonha que pela mata embrenhava
Na mata ao longo da linha a tribo toda escondida.
Depois de passar um rio onde tinha uma subida
O trem à fogo sem pressa o cacique mandou a flecha
Não matou mas fez ferida.
O maquinista sangrando longe de qualquer recurso
Andou umas quinhentas braças e interrompeu o percurso
Antes do trem parar o foguista e um auxiliar
Fugiram ao calor do susto.
Os índios cercaram o trem pra pegar o maquinista
Atribuindo a ele toda desgraça e desdita
Pegaram roupa e botina e selaram sua sina.
Pôs no rio pra despedida antes de jogar o corpo nas águas do rio ao lado o cacique resmungava como em ritual sagrado passando o cocar colorido naquele corpo despido que aos peixes foi jogado.
Passadas umas duas horas chegaram os dois homens fugidos de tanto correrem no mato estavam muito feridos com gente arma e munição foram buscar a composição.
Não teve inauguração dado o triste acontecido não acharam o maquinista que nas águas foi jogado até hoje os pescadores ao pescarem naqueles lados vêem uma mão de esqueleto em seus anzóis enroscado.
É a maldição do cacique que até hoje ainda persiste pra ver o rio preservado.
Lázaro Carneiro é pescador e contados de histórias.
*Continua na próxima semana.