Pesca & Lazer

História de pescador: A maldição do cacique 1


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Construindo a ferrovia pelo longínquo sertão

Conforme a linha avançava causava destruição

Trabalhador nas picadas de quando em quando marcava

Um canteiro de estação

Eram muitos acampamentos de obras implementadas

Com anzóis varas e linhas e espingardas pra caçada

Carne e peixe com fartura essas bravas criaturas

Mata adentro penetravam onde hoje á Araçatuba, ouvi meu avô contar.

No trecho mais avançado no sertão do aracanguá estava pronta a estação marcado a inauguração esperando o trem chegar.

Os índios sendo acuados em seu próprio habitat

Tentando se defenderem mas sem ter como lutar

Com arco flecha e tacape ensaiavam alguns ataques pro homem branco parar.

Naquele fundão de vale por onde o trem serpenteava

Sua ferragem estrondeava ecoando dentro da mata

O cacique observava do alto de uma figueirona

Aquela coisa medonha que pela mata embrenhava

Na mata ao longo da linha a tribo toda escondida.

Depois de passar um rio onde tinha uma subida

O trem à fogo sem pressa o cacique mandou a flecha

Não matou mas fez ferida.

O maquinista sangrando longe de qualquer recurso

Andou umas quinhentas braças e interrompeu o percurso

Antes do trem parar o foguista e um auxiliar

Fugiram ao calor do susto.

Os índios cercaram o trem pra pegar o maquinista

Atribuindo a ele toda desgraça e desdita

Pegaram roupa e botina e selaram sua sina.

Pôs no rio pra despedida antes de jogar o corpo nas águas do rio ao lado o cacique resmungava como em ritual sagrado passando o cocar colorido naquele corpo despido que aos peixes foi jogado.

Passadas umas duas horas chegaram os dois homens fugidos de tanto correrem no mato estavam muito feridos com gente arma e munição foram buscar a composição.

Não teve inauguração dado o triste acontecido não acharam o maquinista que nas águas foi jogado até hoje os pescadores ao pescarem naqueles lados vêem uma mão de esqueleto em seus anzóis enroscado.

É a maldição do cacique que até hoje ainda persiste pra ver o rio preservado.

Lázaro Carneiro é pescador e contados de histórias.

*Continua na próxima semana.

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