O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) completa hoje 20 anos (leia matéria ao lado) como o maior em número de alunos da instituição. No geral, 14,48% dos universitários unespianos estudam na cidade. Eles somam 4.849 alunos de graduação de um universo aproximado em 33 mil no Estado.
“O segundo câmpus é Araraquara com 4.043 alunos só na graduação. Em Bauru, na pós, estamos com mais 507 só strictu sensu (mestrado e doutorado). Outros cerca de 400 nas especializações”, comenta o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), Henrique Luiz Monteiro. De acordo com ele, o câmpus de Bauru também é destaque em projetos de extensão, voltados diretamente à comunidade.
“A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), de toda a Unesp, é a que tem mais projetos”, reitera Roberto Deganutti, vice-diretor da faculdade. Só ela tem 106 projetos de extensão, além de outros 79 da Faculdade de Ciências e mais dez da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB). O bairro Ferradura Mirim, por exemplo, é atendido pelo projeto Guarda-chuva, que contempla outros 38.
“Nas áreas de psicologia, formação de jovens e adultos, iniciação esportiva, capacitação de pessoas. O pessoal da arquitetura, com a parte de urbanismo e assim por diante”, explica Monteiro. O objetivo dos trabalhos é promover o desfavelamento no local, ressalta Alcides Padilha, diretor da FEB. “É atuar na classe mais pobre, onde existe maior incidência de crimes. Quando desfavelar o Ferradura, passa-se para outra favela”, acrescenta.
O trabalho conta com a parceria de instituições filantrópicas, representações religiosas e empresas de grande porte, além do apoio da administração municipal.
Cifras
“Esta não é atividade fim da universidade. A extensão se destina a capacitar nossos alunos para a formação integral dele. Em campo, ganham experiência e tornam-se, inclusive, mais humanos porque interagem com as mazelas sociais. Nossa atividade fim é a formação do graduado e pós-graduado. A formação profissional. É aí que damos a maior contribuição”, destaca Monteiro.
De acordo com ele, nestes 20 anos formaram-se pelo câmpus de Bauru 17 mil universitários, excluindo a pós-graduação, que tem 12 programas em Bauru. Neste período, só de repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) o câmpus recebeu R$ 1.064.852.228,50. O valor foi aplicado em pessoal, custeio, investimentos e obras.
“Nós chegamos a mais de R$ 1.064 bilhão, dos quais 44 milhões de investimentos oriundos do ICMS feitos no câmpus. Esse investimento é da reitoria. Quando encampou, tínhamos 29 mil metros quadrados de área construída, hoje temos 49 mil metros”, informa o presidente do GAC. Segundo ele, mais R$ 26.159.830,50 foram captados só via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desde 1997.
“Isso é trabalho dos docentes. Eles e os alunos mandam projetos e ganham. Em oito anos captamos 54,8% dos recursos. Nos últimos quatro anos, 45%. Se juntar Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), essa cifra passa fácil dos R$ 50 milhões”, conclui Monteiro.
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Inclusão social
Entre os principais projetos de inclusão social oferecidos pela Unesp estão os cursinhos pré-vestibulares oferecidos em 33 unidades da instituição. Ao todo, 3.600 alunos carentes do ensino médio são beneficiados por ele.
“Isso é a melhor forma de fazer inclusão social e inserir o aluno na universidade. Se fizer só reserva de vagas, ele entra e não tem condições de acompanhar. Vai ser reprovado, desiste e vai embora”, comenta Jair Manfrinato, vice-diretor da FEB.
Aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa, o projeto não recebeu qualquer apoio do governador anterior, Geraldo Alckmin, explica o diretor da FEB, Alcides Padilha. Nesta gestão, no entanto, foi contemplado com aporte financeiro.
Na primeira fase foram investidos em material didático, apostilas e bolsas para estudantes responsáveis por ministrar aulas, R$ 1,5 milhão, acrescenta ele. Devem ser investidos mais R$ 2,8 milhões, informa o vice-diretor da Faac, Roberto Deganutti.
De acordo com o que soube, os cursinhos colocaram mil alunos na universidade. Os aprovados no câmpus de Bauru poderão contar com a estrutura da biblioteca, cujo acervo passou de 28.813 títulos para 65.130, nas últimas duas décadas.
“Esse momento em que se comemora os 20 anos de encampação é um momento muito propício para demonstrar o que foi feito. As pessoas não têm idéia do impacto da presença do ensino superior da Unesp no contexto da cidade”, finaliza o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), Henrique Luiz Monteiro.