Jaú - Se a irreversível chegada das colheitadeiras de cana-de-açúcar vai desempregar no setor agrícola, a criação de empregos nos segmentos produtivos de serviços e industrial está aquecida em Jaú. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Wilson Fernado Rizatto, comenta que três supermercados inauguram novas lojas nos próximos meses com a geraçao de 500 empregos diretos na cidade.
O economista Osvaldo Contador Jr. diz que pequenas e médias empresas estão revigorando a oferta de trabalho na cidade. “Há um surto de criação de empregos muito interessante”, salienta. Ele acrescenta que 40% da população que trabalha, atua no setor calçadista, apenas na microrregião de Jaú.
A cidade produz, em média, 147 mil pares de sapatos diariamente. As grandes indústrias desenvolvem o produto, terceirizam a confecção das partes e apenas montam a peça. Com a vocação da microrregição de Jaú em torno do calçado feminino, Osvaldo cita que os sapatos produzidos empregam muito porque a linha de produção é artesanal e depende de muita mão-de-obra.
De acordo com o economista, praticamente 90% do sapato é feito à mão. Etapas da confecção das peças, como o pesponto, a costura e a cobertura do salto, geraram vagas com um grande número de prestadores de serviço atuando na informalidade.
“A indústria de calçado terceirizou esse tipo de trabalho para pequenos produtores ou operários que desenvolviam essa atividade em casa ou em grupo de pessoas. Isso trouxe aumento de mão-de-obra trabalhando”, explica. No entanto, passado um período, os empresários perceberam o risco da queda de qualidade. Assim, muitos calçadistas se juntaram e montaram empresas para atender as exigências das grandes fábricas.
A cidade também atraiu muitas empresas que produzem componentes de calçados, como solado e palmilha. “Tudo o que está em torno dele está aumentando”, avalia.