“É o Amor”, hit que consagrou Zezé di Camargo & Luciano e os tornaram conhecidos nacionalmente, aos poucos vai deixando para trás o título de canção mais aguardada nos shows da dupla. Pelo menos, essa foi a impressão que os sertanejos passaram em sua apresentação em Bauru, anteontem à noite. Bastou a banda tocar o “tan tan taran tan tan” que introduz “No Dia em que Eu Saí de Casa”, por incrível que pareça, para o público ir ao delírio no Recinto de Exposições Mello Moraes, palco da Grand Expo Bauru 2008.
A música tem um ar de segunda voz - sem trocadilhos com a função de Luciano - e a impressão que temos é que marca uma nova fase na carreira dos irmãos de Pirenópolis (GO), principalmente após o lançamento de “2 Filhos de Francisco”. Foi a música que impulsionou o filme ou o contrário? É a pergunta que fica no ar.
O show “Duas Horas de Sucessos”, apresentado em uma noite típica de inverno, não deixou a desejar. A dupla soube contornar os imprevistos que ocorreram no início da apresentação e cantou novos e antigos sucessos. O público não escutou uma palavra de “Mexe que é Bom”, primeira música tocada. A hipótese mais aceitável é que o som do palco não estava aberto para a multidão. E, nas primeiras cinco canções, foi difícil escutar a voz de Zezé e Luciano. Uma falha para profissionais que prezam pela qualidade de suas apresentações. Após 20 minutos, o volume do microfone de ambos foi aumentado.
O que se viu foi o que todos esperavam, ou seja, um grande show, cujo repertório contou com ainda com “Pare”, “Antes de voltar pra casa”, “Dois Corações e uma História”, “Dou a Vida por um Beijo”, “Por Toda a Vida”, “Faz Mais uma Vez Comigo”, “Nosso Amor é Ouro” e “Sem Medo de ser Feliz”, entre outras. Show digno de quem, há nove anos, não vinha a Bauru.
Minutos antes da apresentação, Zezé e Luciano atenderam a imprensa no pequeno camarim atrás do palco da Expo. Entre as poucas perguntas que puderam ser feitas - e é até compreensível, pois fariam um show logo em seguida - a primeira foi sobre o retorno de músicas sertanejas ao horário nobre na televisão. “É difícil falar em volta. Nos últimos cinco anos, tivemos três músicas”, diz Zezé, citando “Cabocla” (“Nosso Amor é Ouro”), “Chocolate com Pimenta” (“Tristeza do Jeca”) e “Amazônia” (“Amor que Fica”, com participação especial de Ivete Sangalo).
Já Luciano impõe seu tom crítico na resposta. “As músicas não estão sendo cantadas, e sim tocadas. O compositor faz a música, o artista grava e as pessoas que gravam são grandes arranjadores excelentes e, de repente, pessoas dentro de uma emissora fazem arranjos diferentes e não tocam a música, a letra”, afirma o noveleiro, como ele mesmo se define.
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Inversão de papéis
A fama conquistada ao longo de tantos anos de carreira não fez a dupla esquecer o passado de dificuldades pelo qual passou. Mesmo quando indagado se o estilo sertanejo deu lugar ao romântico, Zezé Di Camargo afirma que, desde a década de 50, as letras sempre falaram de amor. “Às vezes, o ritmo muda. Os elementos mudaram. Antigamente, você fazia uma música romântica com sanfona e violão e hoje temos bateria, guitarra, teclados e corda. Tiao Carreiro & Pardinho, Pedro Bento & Zé da Estrada e Tonico & Tinoco cantavam músicas românticas”, afirma. ‘“Moreninha Linda’ é romântica”, completa Luciano. É, a tecnologia invadiu o campo musical.
Sobre tomar o lugar do irmão na dura caminhada retratada em “2 Filhos de Francisco”, o semblante de dúvida toma a face de Luciano. “É difícil falar depois que a pessoa já viveu. Pelo o que eu já conquistei e aprendi com o meu irmão, acho que as dificuldades, se viessem para qualquer um, seriam superadas. Estava até comentando que acabei de comprar uma guitarra para o meu filho. O Zezé não teve essa oportunidade, aprendeu na raça. E ainda era canhoto. Tocava violão ao contrário”, relata. “Sei muito mais da vida do meu irmão do que ele próprio. Sempre ouvía as histórias”, diz Luciano, que participou ativamente da produção do filme: desde a escolha do elenco até cortes de cenas.
“Tudo passava pelo meu crivo”, confessa Luciano que não pretende, a princípio, participar de nova película.
Isso se os diretos de “Amor nos Tempos do cólera” não fossem vendidos por US$ 5 milhões para um cineasta. “Encontrei o diretor da Columbia e falei que, se dessem oportunidade, gostaríamos de comprar os direitos desse livro e adaptar para filme. Quando fomos indicados para o Oscar, recebi uma ligação dizendo que um produtor tinha comprado”. Fica para a próxima.