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Raridade, rádio de ondas curtas é lazer de final de semana

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Escutar em casa uma rádio asiática muito antes do advento da Internet já era possível graças aos rádios de ondas curtas. Como os famosos Transglobe e Transoceanic, eles fizeram sucesso na década de 70 por sintonizar estações do mundo todo. Apesar de raridade, ainda há quem se se divirta com o rádio de ondas curtas. O sapateiro Manoel Cirino Neto, que há 15 anos possui um Transglobe, da Philco, é um deles.

Ele revela que já sintonizou até rádios asiáticas no aparelho, mas não soube informar qual. “Não era francês, inglês ou italiano o que eles falavam”, explica. Cirino conta que gosta de sintonizar rádios portuguesas. “Lá eles ouvem muitas músicas brasileiras. Roberto Carlos tocava direto”, comenta.

Apesar da quantidade de faixas, a sintonização de rádios de fora do Brasil não é tão fácil. “Você tem que ficar buscando. Dá para pegar um monte, mas tem momentos que não se escuta nada”, diz. Mas o sapateiro prefere mesmo sintonizar rádios nacionais. “Gosto de ouvir notícias. Sempre sintonizo em rádios da Capital, além de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná”, diz.

Mas Cirino frisa que liga o aparelho de vez em quanto, apenas.“Ele (o rádio) deve ter uns 30 anos e antes eu ouvia sempre. Mas como quase não fico em casa, é difícil ouvir agora. Apenas de vez em quando, nos finais de semana” conta.

O segredo de captar emissoras de localidades tão distantes está no tipo de onda, que acompanha a curvatura da Terra, não fugindo apara o espaço sideral, como as de AM e FM.

Bastante comuns na América do Norte e na Europa, as rádios que transmitem em ondas curtas não são tão fáceis de serem encontradas no Brasil. Algumas grandes emissoras persistem, ainda hoje, mas ao mesmo tempo fazem transmissões em AM ou em FM.

O especialista em eletrônica Silas Ferreira da Costa se dedica à manutenção de televisões há mais de 50 anos, desde quando os aparelhos chegaram ao Interior paulista. Mas antes ele consertava rádios. “Antigamente, eles eram melhores construídos, tinham projetos melhores. Acho que hoje a qualidade deu lugar ao preços baixos e os grandes fabricantes deixaram de montá-los”, avalia.

Ele lembra com carinho da época que os rádios eram produtos mais valorizados, feitos de componentes de melhor qualidade. “Tinha o Transoceanic, da Zenit, com nove ou dez ondas, todas ampliadas para facilitar a sintozinação”, recorda. “Mas hoje em dia, tem radinho que é vendido em camelôs”, diz.

Costa explica que o segredo dos rádios de ondas curtas para sintonizar emissoras de outros países é justamente o tipo de onda. “As curtas refletem na ionosfera, voltando para a Terra e refletindo novamente enquanto as outras freqüências atravessam e vão embora, não acompanham a curvatura do planeta”, explica. A ionosfera é uma das camadas da atmosfera, ela está localizada a 60 mil quilômetros de altitude do solo.

Para uma rádio AM ou FM atingir grandes distâncias é preciso de torres retransmissoras, assim como as microondas, que são utilizadas para a comunicação da telefonia móvel, por exemplo.

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Diferença

Na transmissão de AM – ondas médias, as ondas seguem a curvatura da Terra, mas elas são rapidamente absorvidas, limitando a distância da transmissão. Os sinais FM só podem ser recebidos se o rádio receptor dispor de uma antena. A qualidade desses sinais soa muito bons, mas a distância alcançada é extremamente limitada.

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