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Evite as armadilhas dentro de casa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Na semana passada, a professora Ivonete Borges Rigo, 35 anos, e a filha dela de 4 meses morreram após levar um choque elétrico no banheiro de casa, em Tubarão (SC). O acidente foi provocado por um secador de cabelos molhado. Em Londrina (PR), uma criança de 2 anos morreu carbonizada depois que um botijão de gás explodiu em casa. O mesmo ocorreu com um aposentado de 76 anos, no Rio de Janeiro, há cerca de duas semanas. Ele fumava cachimbo e tinha o costume de acendê-lo com velas. Uma delas pode ter provocado o incêndio e, por problemas nas pernas, o idoso não conseguiu deixar o cômodo a tempo de se salvar.

No começo deste mês, uma criança de 2 anos foi internada em Bariri com traumatismo craniano depois de se pendurar na estante da sala e a TV de 29 polegadas cair sobre sua cabeça. No mês passado, uma pessoa morreu vítima de um choque elétrico em São Paulo. Pela mesma razão, uma adolescente perdeu a vida, em abril, no Rio Grande do Sul. Ela estava limpando a geladeira com os pés descalços sobre o piso molhado. Ela esqueceu de desligar o equipamento da tomada e a descarga elétrica matou a adolescente na hora.

Relatos de acidentes domésticos, muitos deles fatais, surgem quase todos os dias no noticiário. E como mostram os exemplos anteriores, esses acidentes não escolhem vítimas. Eles afetam crianças, jovens, adultos e idosos - mas não na mesma proporção. Estatísticas apontam que acidentes com crianças e idosos são os mais comuns. As crianças, pela curiosidade natural, e os idosos, pela fragilidade física.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, os acidentes domésticos são a principal causa de morte entre crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Anualmente, cerca de 6 mil crianças até 14 anos morrem e outras 140 mil são hospitalizadas por esse motivo, o que torna os acidentes domésticos uma séria questão de saúde pública.

De acordo com o governo brasileiro, cerca de R$ 63 milhões são gastos todos os anos na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender vítimas desse tipo de acidente. Por outro lado, estudos mostram que pelo menos 90% das lesões poderiam ser evitadas com medidas de prevenção, segundo informa a organização não-governamental (ONG) Criança Segura.

Em Bauru, a Secretaria Municipal de Saúde não faz mais distinção dos acidentes domésticos com outros. Agora, tudo é registrado apenas como acidente. Por conta disso, o Município deixou de ter uma estatística própria que dê dimensão local do problema.

No entanto, o cotidiano no Pronto-Socorro Municipal dá subsídio para o pediatra e diretor do setor de urgência e emergência da prefeitura, José Roberto Berber, 60 anos, afirmar que metade dos traumas na infância são decorrentes de quedas sofridas dentro de casa. Mas por terem um organismo ainda em formação, as crianças se recuperam das lesões. O problema é quando a queda envolve os idosos. Em razão da idade, os ossos estão mais frágeis e o risco de fratura, por mais simples que seja o tombo, é muito grande.

Para o tenente do Corpo de Bombeiros Cláudio Ribeiro da Silva, 39 anos, os casos mais graves envolvem idosos porque sua recuperação é mais lenta. Por esse motivo, o tenente diz que em casa onde moram idosos, os cuidados com a segurança precisam ser redobrados.

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Questão de segundos

Para que ocorra um acidente doméstico, não precisa muito. Basta um pequeno descuido, uma fração de segundo e o problema está estabelecido.

O pediatra José Roberto Berber, 60 anos, diz já ter atendido muitos casos de bebês que caíram do trocador ou da cama depois que os pais lhes deram as costas por alguns segundos. O grande problema é que, geralmente, a cabeça é a parte mais afetada nessas quedas. O bebê pode sofrer traumatismo crânio-encefálico. Para que isso aconteça, a queda não precisa ser de muito alto.

Por isso, a ordem é nunca virar as costas para o bebê quando ele estiver no trocador, nunca deixá-lo sozinho na cama ou na banheira. Segundo o pediatra, basta um espelho d’água para que uma criança se afogue. “Quando o pai ou a mãe tem algo para fazer, o correto é pegar a criança no colo e levá-la junto. Um acidente pode acontecer em questão de segundos”, diz.

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