Desde ontem o rio Tietê, em Pederneiras, ganhou uma paisagem pouco comum. Cerca de 20 regatas de vela se destacam num ambiente marcado pelo verde e a tranqüilidade. O 2.º Encontro Náutico, realizado na sede náutica do Bauru Tênis Clube (BTC), tem reunido velejadores da capital paulista para disputar um torneio interno. Entre eles, merece destaque Fernando Samara Pasqualin, parceiro de treinamentos de Ricardo Winicki, o Bimba, que tenta uma medalha olímpica na Olimpíada de Pequim.
Apaixonado pela modalidade, o atleta, aos 21 anos, promete vitória neste domingo, na classe race-board. “O objetivo é fazer uma boa participação e vencer”, disse ele concentrado, enquanto preparava-se para entrar na água com sua regata.
Embora ainda jovem, Pasqualin já possui um currículo nada modesto na vela. Os principais resultados começaram a aparecer a partir de 2002, quando ficou em sexto lugar no Campeonato Mundial Jr. Europeu, disputado na Espanha. A partir do mesmo ano, consagrou-se tetracampeão da Copa da Juventude, categoria sub-18, um evento que define os melhores do País na modalidade.
“Tomei gosto pela vela ainda criança. Meu pai já velejava e depois meu irmão também foi pelo mesmo caminho. Os resultados e conquistas foram acontecendo com o tempo e com muito treino”, descreveu. O velejador é uma das promessas futuras do Brasil na modalidade. O pai de Pasqualin, Raul, é hoje um dos grandes incentivadores da vela no Brasil. Atualmente, ocupa o cargo de diretor técnico de Juventude da Associação Brasileira de Wind Surf.
Para ele, o Interior do Estado de São Paulo tem um grande potencial para a difusão da modalidade. “Aqui na sede do BTC, por exemplo, a estrutura interna é muito boa e, além disso, é um local muito favorecido pelo vento, que é o combustível dessa modalidade”, comentou.
Raul ressalta que é preciso divulgar mais o esporte fora dos grandes pólos, para que a prática da modalidade ganhe mais adeptos e, dessa forma, o País tenha mais opções de atletas nas competições oficiais.
“Acho que faltam mais exposições dos equipamentos, inclusive com palestras e oficinas que mostrem, de fato, como funciona a modalidade e ressalte o potencial que o País tem para sua prática. Isso atrairia muitos patrocinadores”, destacou.
As disputas, que começaram ontem nas quatro classes de windsurfe, terminam hoje com a regata final, novamente das quatro classes.
O 2º Encontro Náutico é patrocinado pelo Jornal da Cidade, 96FM, Sukest, Tilibra. Tem o apoio da Sundown Vega Motos, San Paolo Hotel de Pederneiras, Lume Light Comunicação Visual, Skol/Bebidas Fernandes e De Gabriele Lufthansa City Center.
O evento faz parte da Virada Esportiva, que ocorre em Bauru neste fim de semana.
País favorece modalidade
O potencial geográfico e o clima do Brasil favorecem e muito a prática da vela no País, segundo Ricardo Munhoz, árbitro da Tempo Wind Clube, que promove o 2.º Encontro Náutico em parceria com o Bauru Tênis Clube (BTC).
“Só para citar como exemplo, o rio Tietê, aqui na sede do BTC, possui condições muito especiais para se velejar. Temos todas as condições ideais para a prática da modalidade. O que falta é divulgarmos mais, porque hoje, velejar, está muito mais fácil e prazeroso por conta dos equipamentos, que estão mais sofisticados e oferecem mais estabilidade às pessoas”, comentou.
Munhoz destacou ainda que o custo da prática da vela não é tão inacessível quanto se pensa. O preço médio de uma prancha é de cerca de R$ 4 mil.
Resultados de ontem
A classificação geral das regatas de ontem terminou com Fernando Pasqualin em primeiro, Francisco Pasqualin em segundo, Raul Pasqualin em terceiro, Dilson Andries em quarto e Nilton Branco em quinto.