Esportes

Supermotard: Primeira etapa da Street Crosser agita kartódromo Toca da Coruja

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da poeira levantada e asfalto aquecido com o acelerar das motocicletas, nos treinos de ontem à tarde, no kartódromo Toca da Coruja, as posições dos grids de largada para a primeira etapa da Copa Street Crosser de Supermotard - mistura de motovelocidade com motocross -, seguem indefinidas.

Com um grande número de pilotos inscritos, a competição, que teria seus treinos oficiais ontem, somente conhecerá pilotos que largam na frente e quem terá de comer poeira para melhorar de posição nas baterias hoje pela manhã. “Muita gente chegou hoje (ontem) à tarde, o que impossibilitou a realização dos treinos. Amanhã (hoje), com todos os pilotos, é que as posições serão definidas”, explica o piloto bauruense Beto Guizardi, que compete pela categoria SM1, a elite da modalidade.

Organizador da competição, que tem o apoio do Jornal da Cidade, ao lado dos também pilotos Marcel Sona Cardoso e Márcio Coelho, além de Jean Pierre Colinvaux, pioneiro da modalidade no País, Guizardi comemora a boa aceitação que a etapa inicial da Copa tem obtido na cidade. “O panorama é o melhor possível, com excelente participação do público, além do grande número de pilotos”, enfatiza o motociclista, que protagoniza, no treino e bateria de hoje, duelo “caseiro” com Marcel Sona Cardoso, bi-campeão brasileiro de supermoto. “Vou tentar fazer o máximo, já que sou novo na modalidade. A expectativa é grande”, declarou o motociclista, elogiado pelo adversário conterrâneo. “O Beto está andando bem, vai ser um ‘páreo’ duro”, valoriza Marcel.

Também figuram entre os que, segundo os organizadores, podem protagonizar boas disputas, o bauruense Ayrton Daré, além de Alisson Cândido, de Sorocaba e Paulinho Nicoleti, de Botucatu. A competição é de âmbito estadual, mas reúne também motociclistas de outros Estados, entre eles, competidores do Paraná e Goiás.

Uma das novidades do campeonato é a criação da categoria SMX, na qual motos originalmente fabricadas para rodar em pistas de cross ou percorrer trilhas, poderão integrar competições mistas. “É uma maneira de convidar o pessoal de trilha a participar desse tipo de competição”, atribui Colinvaux.

Outra inovação da Copa Street Crosser é observada nos treinos oficiais. Após o warm-up (aquecimento), a qualificação, ao invés das tradicionais voltas cronometradas, se dará por meio de curtas baterias. Quem chegar na frente durante as mini-corridas larga melhor nas corridas, que começam, conforme os organizadores, a partir das 13 horas.

Com cerca de 1,3 mil metros de extensão, o traçado híbrido de terra e asfalto montado no kartódromo é elogiado pelos pilotos, que salientam o alto grau de desafio que encontrarão nas provas de logo mais. Segundo Marcel Cardoso, nem mesmo os pilotos “da casa” estarão livres do fator surpresa durante a corrida, já que o traçado é inédito. “É um percurso muito técnico”, observa o bicampeão nacional.

A Copa, aberta ao público, inclusive no acesso aos bastidores, também possui um diferencial democrático. Além das principais categorias, pilotos com veículos mais simples também terão a oportunidade de disputar pegas no evento de hoje, em baterias restritas ao trecho pavimentado da pista preparada no Toca da Coruja. “Ao invés de fazer besteira na rua, o motociclista terá um local seguro, apropriado e com baixo custo”, incentiva Colinvaux.

O super piloto

De origem francesa, supermotard é a designação para o que seria o “super motoqueiro”, ou “vencedor dos vencedores”, num duelo entre campeões do asfalto e dos obstáculos sobre terra batida. Apesar do nome europeu, a modalidade tem suas raízes nos Estados Unidos, onde foi criada, na década de 70. “Na Califórnia, a competição foi batizada de ‘superbiker’, ou seja, o super piloto, e foi criada para definir o ‘melhor dos melhores’, ao reunir campeões da terra e asfalto em uma única competição, explica Jean Pierre Colinvaux.

Assim como a modalidade, apresentada por ele em 2001, numa exibição no autódromo de Interlagos em São Paulo, Colinvaux também tem nome francês, mas não é nascido no “Velho Mundo”. “Descobri o esporte na Europa e ‘dei uma de louco’ ao traze-lo para o Brasil”, brinca o carioca Jean Pierre.

Comentários

Comentários