Utilizado no passado como estratégia importante na campanha eleitoral, já que não havia o horário eleitoral gratuito em rádio e TV, atualmente, os comícios praticamente deixaram de existir. A diminuição paulatina do público fez com que, nos últimos anos, houvesse investimento na contratação de artistas de peso para atrair as famílias ao que se convencionou chamar de showmício - mistura de show com comício.
Agora, essa prática não pode mais ser adotada. A eleição deste ano será a primeira em nível municipal em que esse recurso de campanha foi proibido. Em julgamento realizado em maio de 2006, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a aplicabilidade da maioria das novas regras eleitorais introduzidas pela lei 11.300/06 (a chamada minirreforma eleitoral). O tribunal decidiu manter a proibição de showmícios, a distribuição de brindes e as propagandas em outdoors.
Sem poder atrair os eleitores para shows musicais, a saída encontrada pelos seis candidatos a prefeito de Bauru é a realização de comícios em forma de reuniões nos bairros, num verdadeiro corpo-a-corpo com o eleitor.
Na disputa em 2004, Caio Coube (PSDB) lembra que realizou comícios todos os sábados a partir de 15 de julho. Neste ano, a proposta é fazer passeatas pelo comércio e bairros bauruenses com definição de pontos de concentração.
Rodrigo Agostinho (PMDB) e Clodoaldo Gazzetta (PV) também focarão o contato direto com a população. O primeiro conta que a coligação realizará minicomícios previamente agendados por vereadores ou moradores de bairros, além de reuniões e caminhadas. Gazzetta investirá numa tenda verde, a ser instalada em praças e locais abertos. Segundo ele, o objetivo é discutir com os moradores o plano de governo do partido e problemas e soluções daquela localidade.
A assessora da candidata Rosa Izzo (PDT), Silvia Azambuja, informa que a legenda focará a campanha na propaganda eleitoral em rádio e TV e em reuniões com o eleitor. Ela comenta que a realização de comício é inviável por duas questões. A primeira é o alto custo com caminhão, estutura e pessoal. A segunda, conta Silvia, diz respeito à pouca eficácia desse recurso, porque há dificuldade da pessoa deixar o conforto do seu lar para ir a um evento em que não existe, por exemplo, um atrativo musical.
Com as novas regras, os políticos terão de ter criatividade - e contar com os serviços de um profissional em marketing - para atrair a atenção do eleitor.