Tribuna do Leitor

Dois mandatos


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A Tribuna do Leitor - leitura obrigatória para mim e para boa parte dos leitores deste conceituado e democrático espaço do JC - surpreende por idéias e posicionamentos interessantes, como o do senhor Moisés de Jesus Silva, em 16/8/2008. Sob o título “Dois mandatos para o vereador bastam”, percebe que a manutenção de pessoas em cargos eletivos por muito tempo não é boa coisa no trato da coisa pública e sugere que a lei seja igualitária: todos os cargos (presidente, senadores, deputados, prefeitos e vereadores) só poderiam ser ocupados pelo mesmo político por dois mandatos. Perfeito!

Queria dizer ao senhor Moisés que a questão “manutenção do status quo” não passa somente pela escolha de bons nomes em substituição aos que estão na Câmara Municipal e que, em seu julgamento, nada fizeram pela coletividade. O “buraco é mais em baixo”. E como bauruense nato, em buracos a gente é doutorado, haja visto e bem lembrado pelo amigo (se assim me permite lhe chamar), a nossa periferia. O senhor não tem idéia da “bucha” que o próximo alcaide vai pegar!

A nossa máquina pública está totalmente emperrada pela sucessão de maus gestores. O prefeito que encerra seu mandato nada mais foi do que um elemento decorativo, refém da conflexidade da máquina pública manobrada por tecnocratas e burocratas com suas decisões e pareceres. Só para citar o grau de “competência” desta gente, vamos lembrar da dívida federalizada, o viaduto inacabado e, recentemente, os contratos com construtoras na reforma e ampliação das unidades de saúde e outras.

O Jornal da Cidade recentemente registrou a necessidade do prefeito Tuga contratar um advogado para defender a cidade da ganância mafiosa na cobrança percentual dos consultores jurídicos. Entenda que qualquer esquema governamental corrupto só encontra solo fértil quando este encontra condições favoráveis para se desenvolver. Não basta o prefeito ou o senhor vereador querer tirar vantagens do cargo, é necessário que os encaminhamentos da prática delituosa sigam um trâmite legal. Aí, surgem nossas licitações fraudulentas, compras superfaturadas justificadas com notas frias, recursos desviados e depositados em contas não específicas - o modus operandi tão em voga.

Amigo Moisés, a corrupção já é institucionalizada, moral e ética são valores cada vez mais raros e aqueles que os têm, sofrem e são anulados pelos amigos do rei. Nas grandes reviravoltas que a humanidade viveu quando os meios de produção foram colocados em cheque (revolução francesa e russa), os líderes tinham a preocupação de estirpar da face da terra os poderosos, a nobreza e sua descendência. Quando ainda criança nas aulas de história via isso como barbárie; hoje, não vendo outra forma de moralização penso diferente.

José Fernando Redondo Mendes - RG 17.115.632-8

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