Mesmo sendo um reality show, a chegada de “Ídolos” à Record mais pareceu uma novela mexicana. Depois de travar uma disputa com o SBT pelos direitos sobre o programa, a emissora de Edir Macedo estréia a atração hoje, às 23h.
No ano passado, a Record resolveu entrar na briga pelos direitos da atração e levou a melhor. Silvio Santos acabou tendo de se contentar com o “Astros”, versão genérica do programa. Comandado por Rodrigo Faro, “Ídolos” será exibido duas vezes por semana (às terças e às quartas), com episódios de 50 minutos, e trará como novidade uma bancada de jurados formada pelo empresário Luiz Calainho, pela cantora Paula Lima e pelo produtor Marco Camargo.
O “Ídolos” da Record promete um acompanhamento mais próximo do ganhador após o final da atração. “O vencedor terá todo o apoio empresarial de uma gravadora, de um agente e da Record, que tem o maior interesse no sucesso pós-programa”, diz Paulo Franco, diretor de programação da emissora.
Os vencedores das primeiras edições da atração no Brasil, Leandro Lopes (2006) e Thaeme Mariôto (2007), apontaram a falta de apoio e de estratégia da gravadora como uma das dificuldades enfrentadas para emplacar após a vitória.
Preparadora vocal desde a primeira edição de “Ídolos” no Brasil, Tutti Baê diz que o foco do programa da Record são os candidatos. “Nas duas edições do SBT, eu aparecia em cena dando aulas. Desta vez, o espaço será dos concorrentes”, diz a responsável por lapidar a voz dos participantes.
Na estréia e nos sete episódios seguintes, “Ídolos” apresentará a primeira etapa da seleção, que recebeu mais de 30 mil candidatos em audições realizadas, em maio, nas cidades de Porto Alegre, Salvador, Rio e São Paulo. “Muitas coisas me surpreenderam durante essa etapa, principalmente as histórias de vida dos concorrentes. Encontramos no meio dos candidatos, por exemplo, casais em que um passava, e o outro, não. Fizemos também imagens espetaculares. O que o público verá não será só mais um programa de auditório”, promete Wanderley Villa Nova, diretor da atração.
Segundo ele, a expectativa é que “Ídolos” conquiste dois dígitos de audiência. No SBT, a primeira temporada do programa, exibido mais cedo do que na Record, ficou com audiência na casa dos 11 pontos, enquanto a segunda não passou dos oito.
Batizada de “teatro”, a segunda fase do reality foi gravada em junho e reserva surpresas. “Teve gente que rasgou a ficha de inscrição e chutou a cadeira, mas não teve briga, não. Um dos candidatos apareceu com um CD gravado e entregou o disco aos jurados. Ele acabou cantando mal. O júri falou que não dava, o cara foi lá e pegou os álbuns de volta”, conta Villa Nova, que diz que, em algumas ocasiões, ficou chateado ao ver candidatos serem eliminados. “A gente vê o esforço do cara. Tem gente que chega três dias antes da seleção para ficar na fila, mas não canta nada.”
Ansioso pela estréia, Rodrigo Faro se emocionou ao conhecer tanta gente e se envolver com as histórias. “Mexer com os sonhos das pessoas é uma coisa impressionante. Muitos candidatos talentosos que não têm oportunidade passaram pela seleção.”
Atualmente comandando também “O Melhor do Brasil”, Faro tem se desdobrado para dar conta de suas duas funções, mas, segundo Villa Nova, o apresentador conseguiu encontrar o tom correto de “Ídolos”. “O Rodrigo tem um espírito bom, sabe fazer brincadeira e ficar sério.” Seriedade é um dos quesitos de “Ídolos”. O espaço para figuras engraçadas será restrito, diferentemente do que acontece no “Astros”, do SBT. “O humor entrará, desde que dentro do contexto. Não terá exploração”, finaliza o diretor.
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Júri diz estar empolgado com a atração
Depois de o quarteto Arnaldo Saccomani, Cynthia Zamorano, Thomas Roth e Carlos Eduardo Miranda provar que tem carisma em duas edições de “Ídolos” e no recente “Astros”, no SBT, chegou a vez de o trio Luiz Calainho, Paula Lima e Marco Camargo mostrar, na Record, que também leva jeito para animar ainda mais a disputa do reality show.
O produtor Marco Camargo, que já trabalhou Roberto Carlos e acredita ser um jurado justo, conta que sempre assistiu ao “Ídolos” e ao “American Idol” (versão americana da atração) e que ficou surpreso logo na primeira fase do programa. “Fiquei impressionado com os dois extremos. Ou o candidato era muito bom ou muito ruim.”
Também fã da atração, a cantora Paula Lima diz que o talento mostrado por alguns concorrentes foi marcante para ela.
“Achei que iria encontrar pessoas boas, mas as apresentações foram além das minhas expectativas”, diz Paula, que afirma que será uma jurada séria. “Eu detesto fazer tipo, não tenho idade para representar. Na bancada, serei exatamente o que sou”, fala a cantora.
No ramo da música desde 1991, o empresário Luiz Calainho conta que tem se divertido durante as gravações de “Ídolos” e que está empolgado com a oportunidade de contribuir para o surgimento de um novo sucesso brasileiro. “O formato de “Ídolos’ é uma reedição contemporânea dos antigos festivais e significa uma excepcional oportunidade para novos talentos”, finaliza o empresário.