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Dr. Automóvel: Avaliando um carro usado

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Quando vamos vender nosso carro super bem cuidado, como o comprador de uma loja o avalia? O que ele leva em conta na avaliação? Quais os possíveis defeitos são mais importantes, que podem desvalorizar seu carro? Tenha sempre em mente que quando vendemos um carro ele é considerado usado, mas quando compramos o mesmo carro ele é “seminovo”... é como em um banco, nós nunca levamos vantagem.

Mas tem um gostinho que podemos saborear sobre estes vendedores de usados (comigo não tem essa frescura de seminovo não, é usado mesmo e fim de papo): usarmos as mesmas armas deles para comprarmos seus produtos anunciados. Vamos ver como eles atuam e fazer o mesmo com eles! E, sabendo o preço de mercado para um carro daquele modelo e ano, tudo que acharmos como item depreciador, vamos anotando e abatendo do preço pedido.

A primeira coisa que se olha em um carro é sua aparência externa. Estado geral da pintura, riscos e amassados são detectados imediatamente em um simples olhar. O que precisa de mais cuidado são as coisas que estão por debaixo da pintura, como massa plástica em excesso por exemplo. Incline seu ângulo de visão para enxergar melhor a ondulação da chapa e sinais de reparo. Se perceber ondulações e sinais de lixamento, pintura refeita ou brilho diferente das demais áreas, bata com os dedos sobre ela e compare o som com uma parte original de chapa. Se o som for mais seco ou diferente, pode crer que tem massa plástica embaixo. O fato de um veículo sofrer uma pequena batida e ser corretamente reparado não influi em nada, o problema é quando sofre um dano estrutural ou foi porcamente restaurado, aí o problema não foi sanado e sim, repassado para a próxima vítima.

Quilometragem indicada no odômetro é quase sempre mentira, pois a maioria dos vendedores altera o valor para mascarar suas belezuras expostas. Qualquer um vê que um carro com aspecto meio gasto com mais de 10 anos não pode ter “apenas 68.000 km originais”, portanto teve seu odômetro alterado. Mas, como comprovar isso? Vamos às dicas:

Vá pela frente do veículo e olhe a lateral, encostando o rosto no paralama dianteiro. Assim, poderá ver desalinhamentos e imperfeições de pintura, desalinhamento de portas e amassados. Procure por pequenos pingos de tinta em lanternas e faróis, pois podem denunciar repintura mal feita, já que estes componentes nem foram desmontados.

Verifique a pedaleira quanto a desgastes normais. Cheque o pedal do freio e da embreagem, se estiverem muito desgastados é porque o carro tem mais de 100.000 km. Se estiverem novinhos, é porque foram trocados para esconder a verdade...

Olhe com cuidado as borrachas de vedação do parabrisa e vidros em geral. Muitas vezes o carro foi pintado e deixou marcas do empapelamento nas borrachas. Levante um pouco a aba da borracha e veja se a pintura abaixo é a mesma original ou se foi refeita. Outra dica é retirar as borrachas das portas, que são apenas encaixadas e confirmar se os pontos de solda são originais ou se as peças foram trocadas. Algumas oficinas colam estas borrachas para esconder o “serviço”, portanto desconfie se as borrachas dos batentes das portas estiverem coladas.

Os pneus originais duram mais de 60.000 km, portanto se um carro com apenas 38.000 km marcados tiver os 4 pneus novinhos, tem coisa errada. Um pneu pode ter sido cortado ou inutilizado e precisou ser trocado, mas todos os quatro... Aproveite para verificar o estepe, veja se é da mesma marca que os demais pneus. Um carro sai de fábrica com os 5 pneus iguais, portanto esta regra vale para carros de até 3 anos, daí para frente a chance dos pneus terem sido substituídos aumenta bastante pela quilometragem.

O motor deve ser avaliado com critério. Verifique barulhos estranhos de coisa batendo ou rangendo. Na dúvida, leve ao seu mecânico de confiança para uma avaliação mais completa. Observe o escapamento, se está com fuligem preta apenas, que é normal. Se estiver melado de óleo, significa que o motor precisa de conserto. E o mais simples de todos: procure pelo manual de garantia original do veículo. Lá constam suas revisões e carimbos, mostrando a autenticide. Se não tiver o manual, tem coisa escondida. Já vi carro sendo vendido com 78.000 km, com uma nota fiscal de troca de amortecedores aos 114.000 no porta luvas...

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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