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Ensinar através das crianças


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A interpretação do título é: ensinar as crianças para que os adultos aprendam com elas. Em vez de os filhos aprenderem com os pais, são os pais que aprendem com os filhos. Não sabemos a quanto essa pedagogia remonta, mas sabemos que aqui no Brasil foi usada pelos jesuítas na catequização dos índios. Os catecúmenos, que eram as crianças indígenas preparadas para o batismo, aprendiam com os jesuítas os melhores costumes da civilização e iam corrigindo seus pais.

É um método lento, mas sustentável e multiplicador. Infelizmente, foi sufocado pelo pedagogismo dos tempos atuais, resultante das muitas idéias inovadoras que têm tumultuado a educação. Todo mundo tem uma teoria a respeito. Foi instaurada uma mudança permanente, que tem provocado descontinuidade no processo educacional. São tantas as propostas de alfabetização, são tantas as propostas de conteúdo curricular, são tantas as propostas de avaliação e progressão, enfim, são tantas as reformas que o sistema não consegue se consolidar.

As idéias de ensinar os adultos através das crianças, contudo, sobrevivem. Embora isolados, os exemplos vão surgindo e vão formando uma tendência. A educação de crianças para o trânsito, feita pela Polícia Militar, é um exemplo e que deveria ser ampliado. Os trabalhos das ONGs nas favelas, com atividades esportivas e artísticas, são outros casos que merecem a atenção. As iniciativas de controle ambiental, educando as crianças para o plantio e conservação de árvores, para a reciclagem de lixo, para a economia de água e de energia estão se multiplicando.

Um projeto que merece ser conhecido, pela combinação de uma empresa de responsabilidade social com uma das mais respeitadas organizações de pesquisa ambiental. É o Programa “Embaixadores do Meio Ambiente”, em instalação no complexo industrial da Dow Química, no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Em convênio com o Instituto Jean Michel Cousteau do Brasil, a Dow construiu bangalôs e infra-estrutura para que menores, encaminhados por suas escolas, durante uma semana, venham a conhecer e respeitar o meio ambiente. A Dow está fazendo esse investimento como parte do seu programa de responsabilidade social, e o Instituto, porque Jean Michel Cousteau encontrou no Guarujá uma grande concentração ecológica, segundo declarou à imprensa. Essas crianças se tornarão multiplicadores das iniciativas de proteção do meio ambiente e preservação do planeta Terra.

Mas não é necessário ir ao Guarujá para saber como isso se faz, porque Bauru já realiza esse trabalho desde 1984, por iniciativa do zootecnista Luiz Antonio Pires, diretor do Zoológico Municipal. Iniciado em forma de acampamento, em 1991, com a ajuda da empresa Refrigerantes Bauru (Coca-Cola), foram construídos dois alojamentos com vinte leitos cada um, formando o Centro de Educação Ambiental “Horácio Frederico Pyles”, então proprietário da empresa. O Centro recebe crianças e adolescentes, de ambos os sexos, que de terça a sexta-feira convivem com a natureza e recebem orientação sobre preservação do meio ambiente. Em ocasiões apropriadas também recebe jovens e adultos para cursos sobre zoobotânica e ambientalismo. Já passaram por ali milhares de crianças e adolescentes.

Atualmente, o Centro não recebe apoio de nenhuma empresa. Está aberta, portanto, a oportunidade para empresas que queiram fazer investimento em responsabilidade social. O nosso país e o mundo estão necessitando de multiplicadores do comportamento de proteção do meio ambiente, papel que as crianças transmitem melhor do que os adultos.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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