Polícia

Mobilizados, policiais de Bauru aguardam reunião

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Mobilizada, em estado de greve, a Polícia Civil aguarda hoje o fim do embate com o governo do Estado. A expectativa também em Bauru é que as partes cheguem a um consenso na reunião a ser realizada no Tribunal Regional de Trabalho (TRT), a partir das 10h. No entanto, caso o dissídio não resulte em acordo, a greve será retomada de amanhã em diante.

Ela foi deflagrada na última quarta-feira e perdurou por apenas sete horas. Conforme o JC divulgou, foi suspensa em virtude de um acordo preliminar obtido na ocasião. No próprio tribunal, a categoria decidiu retomar as atividades até hoje, quando uma comissão (composta por representantes de associações policiais, sindicatos e governo) se reunirá para deliberar sobre a melhoria dos salários.

“Já estamos articulados para reiniciá-la. É importante deixar claro para a população que vamos acatar o que a Justiça determinar. Ela já considerou legal a nossa greve e isso é importantíssimo”, explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). Na opinião dele, hoje será um dia de longa espera.

Expectativa

“Não vai terminar rápido, não. O governo vai levar um caminhão basculante de papéis. Nós estaremos com nosso pelotão de choque com outro caminhão de papel”, comenta. Nesta semana, representantes do governo e membros de cada uma das categorias formaram a comissão responsável por deliberar assuntos de interesse coletivo. Enquanto isso, fervilhavam comentários sobre a discussão que está por vir.

“Já foi falado em 27%. Já foi falado em nada, que ele (governador José Serra) vai pagar para ver. O que está chegando de informação é um absurdo. Não tem nada programado para quarta-feira (hoje) à tarde porque não temos previsão de que horas vai acabar a reunião. Se não der acordo, nossas lideranças vão informar. É greve. Isso é cristalino”, reitera.

O comando da greve conta com 19 entidades (entre sindicatos e outras representações de delegados, investigadores e escrivães). De acordo com ele, 90% das cidades do Estado aderiram à paralisação na última quarta-feira. Em Bauru, o percentual apontado foi de 100%. Já a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou que a adesão foi pequena no Estado, mas não especificou quantos de fato cruzaram os braços.

A Justiça determinou que nenhum profissional envolvido na paralisação seja punido pelo governo. Trata-se do primeiro dissídio em 103 anos de existência da instituição em São Paulo, segundo as entidades de classe. Os policiais reivindicam reajuste salarial e reestruturação da carreira. Durante a paralisação, as delegacias abriram normalmente, mas foram registrados somente ocorrências consideradas graves. O critério será o mesmo, caso a greve seja retomada.

Anteontem, a estrutura da Polícia Civil e a reivindicação da categoria por melhores salários tomaram conta dos discursos na Câmara Municipal de Bauru. Vários vereadores manifestaram apoio aos policiais e criticaram o governo.

Através da assessoria de imprensa, a Secretaria de Segurança Pública elencou que já regulamentou gratificação aos delegados que acumulam cargos e extingüiu a quinta classe em todas as carreiras da Polícia Civil, o que elevaria o menor salário em até 27%.

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