Regional

Cooperativa evita reincidência de presos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí - Ao sair do sistema prisional, trabalhadores descobrem que terão uma vida ainda mais difícil fora das grades. Em geral, acabam excluídos das oportunidades de emprego. Para driblar o preconceito e a alta reincidência, cooperativas de trabalho são o pontapé inicial para o processo de reinserção de pessoas que cumprirem penas. O assunto foi a tônica de um encontro de diretores de penitenciárias, que prossegue hoje em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru).

Na opinião da diretora executiva da Funap, Lúcia Casali, a alternativa com melhores resultados tem sido a organização de cooperativas, onde eles possam trabalhar mesmo depois de cumprirem a pena. “O maior problema é que para reintegrar o preso, é preciso ter geração de renda. Nós temos dificuldades na obtenção de emprego formal, carteira assinada. Para driblar o problema, adotamos o sistema de cooperativa.”

Ela comenta que no Estado de São Paulo as unidades de Mirandópolis e Sorocaba adotaram o sistema. “O preso entra como cooperado de forma que ele estando em semi-aberto ou sendo egresso tenha a sua geração de renda. No sistema prisional, nós preparamos o preso para ser um cooperado.”

Para que o preso volte à sociedade sem o risco de reincidir, além das aulas normais, ele recebe noções de cidadania. “Além de aprender a ler e escrever, ele recebe educação de cidadão. Tentamos passar a ele outros valores para mesmo em liberdade, ele consiga ficar na cooperativa.”

As cooperativas servem como um grande guarda-chuva que acolhe muitos presos de uma só vez. Mesmo estando fora da região de Bauru, elas podem receber a filiação de presos daqui, não é preciso ter uma cooperativa em cada unidade”, explica.

Uma das cooperativas trabalha com reciclável e a outra, com recuperação de mata ciliar, parques e jardins. “Temos um convênio com a Prefeitura de Sorocaba que tem surtido resultados bastante positivos.”

Os presos de Sorocaba participam do projeto “Cidade Super Limpa”. “Eles limpam parques, jardins, terrenos baldios além de rebaixarem as guias para trânsito de deficiente físico. A prefeitura indica o serviço, eles executam. A prefeitura mede e repassa o dinheiro.”

Casali destaca as vantagens para ambos. “Você tem o preso trabalhando e tem a prefeitura pagando super barato pelo serviço, uma economia para o contribuinte. Resolve dois problemas com essa ação.”

Segundo ela, os moradores recebem bem o preso. “Em Bauru sabemos que há dificuldade da população em receber esses presos. Então, a gente está fazendo um trabalho de preparação do preso para que o egresso esteja preparado e não volte a reincidir.”

O encontro foi promovido pela Fundação Professor Doutor Manoel Pedro Pimentel (Funap), pela Escola de Administração Penitenciária (EAP) e pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Começou ontem e contou com a presença de diretores de trabalho e educação das unidades prisionais da região noroeste.

O objetivo da reunião é a troca de experiência entre as diretorias e adoção de projetos que estão obtendo êxito em alguma das unidades. Para Casali, reunir diretores afina os pontos de vista. “Para que dêem condições melhores para que os presos se adaptem à nova situação.”

Ela ressalta que o sistema semi-aberto foi desvirtuado. “O grande problema é que o semi-aberto está desvirtuado. O sistema acabou sendo uma grande casa de albergado, porque o preso arruma um contrato fora e sai de manhã e volta a noite. Ele não está preparado para ir para a rua.”

Potencial

Para o coordenador regional Luiz Carlos Catirse, a maior dificuldade na ressocialização dos presos é fazer com que o empresário acredite no potencial das unidades prisionais. “É acreditar que o preso pode desempenhar o trabalho.”

Na opinião dele, falta investimento nessa área. “Temos que investir para que as pessoas presas tenham condições melhores para voltar a sociedade. As empresas teêm isenção de alguns impostos quando instaladas nas unidades prisionais.”

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