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Saúde estimula fazer teste anti-HIV

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria de Estado da Saúde realiza a partir da próxima segunda-feira a campanha “Fique Sabendo” em 180 municípios paulistas. Seu objetivo é estimular a realização do teste anti-HIV, ainda capaz de provocar medo até mesmo entre pessoas com conduta responsável, conscientes de quão importante é preservar-se e proteger o companheiro de um eventual contágio.

Até dia 5 de setembro, os exames serão realizados gratuitamente, também em Bauru. “Existe receio porque receber a notícia de que é portador do vírus é difícil”, comenta a coordenadora da campanha estadual Karina Wolffenbuttel. De acordo com ela, é muito importante a pessoa saber que tem o vírus antes de desenvolver a doença.

“Se der positivo, além de fazer sexo protegido, a pessoa vai avaliar sua condição de saúde para saber se precisa iniciar o tratamento com coquetel. Tem diferença entre ser portador e doente de aids. Nem sempre o portador vai tomar remédio. Se tiver com imunidade legal, não. Quando a carga viral começar a subir muito e a de defesa diminuir, entra com coquetel para impedir infecções oportunistas”, explica Márcia Pereira da Silva, assistente social da Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab).

Ela ressalta que o tratamento dá qualidade de vida. “Se começa mais cedo, são maiores as chances de sucesso, de não adoecer. É uma doença que não tem cura, não tem vacina”, acrescenta Karina. Mas se der negativo, trata-se de uma motivação para que as próximas relações sexuais sejam protegidas, ressalta Márcia. Na opinião dela, além das pessoas com medo, existem aquelas que não fazem o teste por acreditar que o problema nunca irá acometê-las.

Super-herói

“Eu chamo de síndrome da Mulher Maravilha, do Super Homem. Aids é para todos que não se cuidam, que fazem sexo desprotegido. Se você tem essa atitude, é importante fazer o exame”, adverte Márcia. Segundo contou, muitos assistidos pela Sapab receberam o diagnóstico tardio. Descobriram quando o parceiro morreu, ao serem alvo de doenças oportunistas ou no pré-natal, por exemplo.

“Existem aquelas pessoas que tiveram todos os comportamentos de risco e têm medo de fazer”, avalia. De 1982 a 2007, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, somou 1.770 registros de pessoas soropositivas em Bauru. Com acompanhamento e tratamento adequados, o portador pode viver décadas com qualidade de vida.

“Vai ter a mesma vida que tinha antes, a diferença é que vai tomar cuidados que não tomava antes”, conclui a assistente social. Em todo Estado serão 250 mil exames em 1.400 unidades de saúde onde vivem cerca de 70% da população do Estado, informa a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde. Trata-se da maior campanha de testes anti-HIV da história de São Paulo.

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“Fique Sabendo”

A marca “Fique Sabendo” foi utilizada pela primeira vez em 2003 numa campanha nacional e tornou-se permanente. Será mantida em São Paulo mesmo após o dia 5 de setembro.

“A gente decidiu dar continuidade a esse nome. A idéia da marca é de mobilização constante. Já tem cinco anos e a gente pretende continuar. Faz parte de uma estratégia nacional para chamar atenção para essa questão, da importância da testagem, além do uso do preservativo. A gente vem adotando mais de uma estratégia de prevenção”, explica a coordenadora da campanha estadual, Karina Wolffenbuttel.

Ela entende a dificuldade de parte das pessoas em fazer o teste anti-HIV. Até porque a doença ainda é estigmatizada e resulta em discriminação, seja qual for o sexo do portador. Em Bauru, apesar de a contaminação pelo vírus HIV ocorrer, em média, em três homens para cada mulher, nos grupos entre 15 e 19 anos há predominância feminina em relação ao universo masculino. Nesta faixa etária, as mulheres representam 56,60% dos casos e homens, 43,30%.

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