Economia & Negócios

Selo em TV indica nível de consumo

Por Gabriel Ottoboni | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A partir deste mês, todos os televisores de tecnologia convencional (tubo), fabricados no País, trarão o selo do Instituto Nacional de Normalização, Metrologia e Qualidade Industrial (Inmetro), indicando o nível de consumo de energia do modo stand by. O selo terá quatro categorias (A, B, C e D). Na primeira, ficarão apenas os aparelhos com consumo menor ou igual a 1 watt. Periodicamente, a classificação será revista. Além dos televisores, refrigeradores, freezers, condicionadores de ar (split) e de janela, lavadoras de roupa, fogões e fornos a gás já possuem selo igual.

Segundo dados da Eletrobrás, os aparelhos em stand by (conhecido como modo de espera) são responsáveis por 15% do consumo de energia elétrica em uma residência. Dependendo do consumo, em alguns casos, o gasto com o aparelho nesta função pode ser equivalente ao do equipamento em uso.

Desde a semana passada, o comércio local recebe aparelhos com a nova indicação. “Os aparelhos novos já estão vindo com o selo do Inmetro e os que estão aqui serão substituídos”, afirma o vendedor Roger Augusto da Silva, responsável pelo setor de televisão em uma loja da cidade. No estabelecimento, aparelhos de consumo denominado “classe A” são os mais procurados pelos clientes. “Antes, o consumidor não procurava, mas agora inclusive indagam onde está o selo no produto para verificarem o índice de energia”, completa. “É igual refrigerador. Todo mundo pergunta sobre o selo”. Segundo Silva, o número de televisores de tubo vendidos é até cinco vezes maior em relação a plasma e LCD. “A proporção é de 5 por 1, mas a procura por LCD aumentou bastante”, admite.

A pedagoga Roberta Ariane Batilane, 30 anos, pesquisava preços no local. Ela diz que já sabia da nova medida e que dá preferência a equipamentos mais econômicos. “Sempre procuro conciliar a marca com o consumo”, diz Roberta, que vive com o marido e afirma que a conta de energia de sua casa é pequena. “Faço uma comparação entre a marca e o consumo, que é médio”.

Gerente de uma loja localizada no Calçadão da rua Batista de Carvalho, Ronaldo Donizete da Silva ainda não recebeu televisores com a nova indicação. Mas isso ocorrerá em breve. Isso porque, segundo ele, a empresa realiza uma auditoria interna a cada 30 dias. “Temos um prazo de um mês para providenciar produtos que não tenham o selo”, relata. “A empresa exige isso. A linha de eletrodoméstico, por exemplo, já tem esse selo”.

No momento da compra, diz ele, o consumidor verifica tanto a marca quanto a economia que o produto irá proporcionar. “Mas as marcas hoje são muito equivalentes e econômicas”. Silva afirma que a venda de TVs de tubo - limitada a 29 polegadas - ainda lidera o segmento

Programa

A inclusão dos televisores no Programa Brasileiro de Etiquetagem começou em 2004. A definição dos quatro níveis de classificação de consumo de energia (A, B, C e D) ocorreu em setembro de 2005.

No nível A, de maior eficiência energética, o consumo é igual ou inferior a 1 watt. Nos outros níveis pode variar até o limite de 8,2 watts. De 152 modelos de televisores de tubo inseridos no Programa Brasileiro de Etiquetagem no ano passado, 32,24% deles já estavam enquadrados na categoria A, de maior eficiência energética; 30,92% na categoria B; 34,21% na categoria C e apenas 2,63% na categoria D, de menor eficiência.

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Idec verifica

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) questionou diversas empresas sobre o consumo de energia elétrica em stand by de 20 aparelhos diferentes, entre televisores, DVDs e conversores de TV por assinatura. De acordo com os dados obtidos, os conversores de TV por assinatura são os campeões em gasto de energia. O desperdício desses aparelhos no modo stand by pode equivaler ao consumo de uma lâmpada fluorescente compacta, acesa ininterruptamente.

Dependendo do consumo, em alguns casos o gasto com o aparelho em stand by pode ser equivalente ao do aparelho em uso. Segundo respostas das empresas, os aparelhos da NET consomem por mês entre 6,5 watts a 14 watts no modo stand by e no caso dos aparelhos da TVA esse consumo é de 8,5 watts. Em uso, a primeira marca declarou gasto entre 9 watts e 20 watts, dependendo do modelo, e a segunda 9,5 watts. Sky e Telefônica não responderam aos questionamentos do Idec.

Na categoria televisores, o Idec interrogou as empresas em relação aos aparelhos de tubo com telas convencionais, TVs de plasma ou LCD e televisores de tubo com tela plana ou slim. Foi observada uma grande diferença entre as marcas. Um televisor convencional de 29 polegadas da marca CCE, por exemplo, consome 0,095 watts em stand by e outro, do mesmo tamanho da Semp Toshiba, gasta 4 watts. É possível acessar todas as tabelas através do www.idec.org.br.

Nos aparelhos de DVD também foi verificada uma variação entre o consumo dos aparelhos de marcas diferentes. Segundo respostas da Semp Toshiba, o aparelho comercializado por ela gasta 2,5 watts no modo stand by, já os dados oferecidos pela Sony alegam consumo de 0,1 watt para um modelo correspondente.

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