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Não há solução mágica para o vício

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Na opinião do fundador do Grupo Vaso Novo , entidade de apoio a dependentes químicos, Roberto Gonçalves Cruz, 70 anos, não há soluções mágicas para o problema das drogas, o que incluiu o alcoolismo. Segundo ele, os medicamentos que existem no mercado e os que estão prestes a ser aprovados, como a vacina para combater o vício em cocaína, podem até ser válidos cientificamente, mas se o paciente não contar com apoio da família e não optar por uma mudança de vida, nenhum tratamento será capaz de recuperá-lo.

Cerca de 70% dos dependentes atendidos pela entidade estão presos ao álcool. O sucesso do tratamento, na opinião dele, passa também pelo combate à ociosidade. É preciso preencher o vazio deixado pelo vício com alguma atividade. É o que chamam de laboterapia.

É exatamente isso que faz a Organização Não-Governamental (ONG) Espaço Recomeço, que mantém uma comunidade terapêutica em Agudos. Com um pesqueiro e várias hortas, ela procura manter ocupados os 19 internos que estão lá em busca de tratamento.

Duas vezes por semana, os internos trabalham com artesanato e todos os dias cuidam das rosas, do jardim, da alimentação e das verduras, segundo mostrou matéria publicada na edição do último domingo do Jornal da Cidade. De acordo com o coordenador da comunidade Luiz Fernando Lopes, o trabalho tem dado ótimos resultados.

De acordo com o fundador do Grupo Vaso Novo, quem deixa de beber e não se ocupa com alguma atividade tem grandes chances de voltar ao vício. Mais importante do que ter o que fazer, é a pessoa querer realmente se livrar da bebida. “Se o dependente não quiser parar de verdade, não tem medicamento ou terapia que resolva”, afirma Cruz.

Para a psicóloga Débora Arruda Borini, 26 anos, cerca de 90% do sucesso do tratamento contra o vício dependem da força de vontade. Por isso, ela ressalta a importância do apoio da família e de amigos para que o paciente não se sinta sozinho durante o tratamento e tenha forças para superar o problema.

Débora trabalha no Grupo de Apoio aos Alcoólicos e Narcóticos (Gaan) em Pederneiras. Segundo ela, o alcoolismo é uma doença crônica que não tem cura. “É o mesmo que ter diabetes. O máximo que a pessoa consegue é controlar a doença”, compara.

E o controle passa por terapias, dinâmicas de grupo, agricultura, cursos profissionalizantes e uso de medicamentos, entre outros recursos. De acordo com ela, é muito difícil um dependente conseguir largar o vício sozinho. É possível, mas o índice de sucesso é baixo.

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