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Aumenta procura por ajuda em centros de apoio de Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Os dependentes químicos, especialmente os alcoolistas, estão buscando mais ajuda. Em Bauru, só no primeiro semestre deste ano, 1.122 deles se inscreveram no Centro de Apoio Psicossocial – Álcool e Droga (Caps-AD), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde. Trata-se de um aumento de 224% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O crescimento também foi notado em outros centros de apoio, como os Alcoólicos Anônimos (AA), Comunidade Bom Pastor e Esquadrão da Vida. Todos voltados à recuperação de dependentes químicos.

Coincidência ou não, o aumento na procura por ajuda começou a partir do início deste ano, quando essas entidades se associaram a outros órgãos, formando uma rede de apoio. Conforme esses órgãos vão recebendo os dependentes, eles encaminham os pacientes para os centros especializados. Antes, isso não era feito.

A procura por ajuda aumentou tanto entre os homens, quanto entre mulheres e adolescentes. Mas foi entre os adolescentes que o aumento foi mais significativo. No Caps-AD, onde concentra-se o maior número de assistidos, o número de inscritos saltou de 19 no primeiro semestre do ano passado para 69 neste ano – um crescimento de 363% (veja quadro). Atualmente, o órgão possui 5.515 pacientes inscritos, sendo 80% desse público dependentes de álcool.

Para a coordenadora do Caps-AD, a enfermeira Luciana de Oliveira Martins, 35 anos, o aumento no número de inscritos é um reflexo de que o trabalho de prevenção feito nas escolas, nos meios de comunicação e por meio de palestras, não está sendo eficiente. Na opinião dela, o acesso às drogas, especialmente o álcool, ainda é muito fácil, até mesmo para os adolescentes.

Além dessa facilidade, tem a questão familiar, que segundo Luciana, tem deixado muito a desejar. Ela acredita que a desestruturação das famílias é responsável, em grande parte, pelo consumo, cada vez maior, de drogas. “Uma família desestruturada abre portas para que a droga entre na vida de uma pessoa”, opina.

Na avaliação dela, o aumento que o Caps-AD tem registrado na procura por ajuda pode ser analisado de dois ângulos distintos. Se por um lado é bom porque as pessoas estão mostrando disposição em ser tratadas, por outro é ruim porque mostra que o número de dependentes continua crescendo.

Apesar do aumento significativo de inscritos no primeiro semestre deste ano, Luciana acredita que o trabalho de recuperação de dependentes tem muito o que crescer em Bauru. Segundo ela, as questões sociais, econômicas e de tráfico têm piorado com o tempo e isso tem levado muita gente a procurar refúgio nas drogas (álcool incluído).

Normalmente, a dependência do álcool começa na adolescência, quando os menores recorrem à bebida para “criar coragem”. Sem perceber, vão tornando-se reféns do álcool, a ponto de não conseguir passar um dia ou fim de semana sem beber. No caso das mulheres, é mais comum elas recorrerem à bebida quando adultas. Os motivos mais comuns são a ansiedade, depressão e problemas no casamento.

“O fato é que no nosso meio cultural e social, a bebida não é vista como algo ruim. Ela é aceita até mesmo dentro da família. E o beber socialmente acaba evoluindo para o alcoolismo”, observa Luciana.

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Grupos de apoio

Embora não tenham estatísticas para apresentar, dirigentes dos Alcoólicos Anônimos afirmam que cresceu o número de freqüentadores desde o início do ano. A entidade atende cerca de 200 pessoas nas unidades do Centro e do Jardim Cruzeiro do Sul.

O aumento na procura foi verificado também no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) da Prefeitura. O local é uma espécie de portão de entrada dos dependentes químicos. O Creas é o responsável pela triagem dos interessados no tratamento. É o órgão que faz o encaminhamento para o Caps-AD e posteriormente ao Esquadrão da Vida ou Comunidade Bom Pastor.

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