Desde sua criação na Grécia, os Jogos Olímpicos se profissionalizam a cada nova edição. Avaliações físicas mais precisas utilizando programas de computador sofisticados conseguem explorar o máximo do atleta. O nível de competitividade consequentemente também aumenta.
Lembro ter tido contato com diversos esportes olímpicos nas escolas estaduais que estudei. Salto em distância e em altura, revezamento, arremesso de peso e handebol são alguns de que me recordo. Atualmente são raras as escolas que oferecem essas modalidades.
O esporte deve estar inserido desde muito cedo na vida da criança. O contato com várias modalidades diferentes pode despertar gosto pela prática, contribuindo para a melhora geral tanto na saúde como na formação do caráter do futuro cidadão.
Vejo com muita preocupação a cultuação do primeiro colocado. Quem ganha tem as glórias. Os demais, não valem muita coisa. Se levarmos essa idéia para nosso cotidiano seria um desastre. É claro que devemos nos esforçar para sermos os melhores em tudo que fazemos - melhores profissionais, melhores pais, melhores amigos - mas a idéia competitiva do esporte como está sendo colocada só privilegia o “primeiro”.
Nossos atletas olímpicos que não alcançaram os louros da vitória desabam. A desilusão ao não ser o “primeiro” faz parte do esporte e da vida. Isso não significa que não se tem valor, que não se pode considerar “bom“ o desempenho. O esforço e dedicação nos levam à superação e, em algumas vezes, à perfeição.
Orientações conjuntas dos pais e escola são essenciais no sentido de esclarecer essas idéias. Isso sim irá contribuir para a formação de futuros cidadãos competentes e responsáveis.
O autor, Walter da Silva Jr., é cirurgião-dentista e professor universitário