Tribuna do Leitor

Distorções de uma realidade latente


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É lamentável crer o que temos visto todos os dias, durante a "novela das oito" (A favorita), da emissora Rede Globo. E, por incrível que pareça, não acredito que nenhum representante da Administração do Estado tenha até o presente momento demonstrado sua insatisfação com o que ali tem sido divulgado, e mesmo em sendo aquela uma obra de ficção. É degradante e imoral, que se mostre um servidor público tomando tais atitudes em pleno horário nobre da televisão brasileira. Sim, uma agente penitenciário agindo de forma totalmente contrária às normas éticas e de disciplina: corrupta, torturadora, sádica e, acima de tudo, colocada como se fosse uma servidora do Sistema Penitenciário Paulista.

Inclusive caracterizada, com o mesmo uniforme utilizado pelos servidores paulistas, vergonhosamente ostentando o Brasão do Estado de São Paulo no peito e a Bandeira de São Paulo na manga da camisa, sendo mostrada para todo o Brasil cometendo todo tipo de atrocidades e, por incrível, que pareça ninguém se insurge para repudiar tal ato, que cria no imaginário e no inconsciente da população uma imagem falsa do profissional em questão. Não creio que a culpa seja do autor do folhetim, muito menos de qualquer pessoa que faça parte do Núcleo de Teledramaturgia daquela emissora.

A culpa, senhores, é de nossa sociedade, que banaliza a corrupção, como se esta fosse sua sina, como se não houvesse mais meios de detê-la, de estancá-la, não se importando o quanto esta afeta sua vida no cotidiano. A culpa, senhores, é desta Administração, que também trata seus funcionários servidores da mesma forma com que trata a coisa pública, ou seja, com desdém. Fosse ele um governo realmente sério como quer parecer ser e que sabemos que não o é, já teria demonstrado sua insatisfação, por quantos meios fossem possíveis e necessários, para que fosse proibido a utilização do uniforme oficial de seus funcionários em uma trama que denigre não só uma classe funcional, mas a própria Administração em si, pois somos nada mais nada menos que o representante daquela em nosso cotidiano.

Nós somos o Estado em todos os atos públicos em que são necessários a presença do sentenciado ou do reeducando, escoltando-os, nós somos o Estado quando aplicamos a disciplina ressocializadora nos detidos ou nos presos já sentenciados, nós somos, portanto, seus legítimos representantes legais, e por este motivo teríamos que ser defendidos por esta Administração presente de forma firme e forte, porém, o que vimos até o presente momento é desdém, como sempre, assim como o aumento salarial divulgado pela Administração dizendo que foi mais de 26,35%, quando sabemos este percentual atingiu na verdade entre 7 e 10% de aumento sobre um adicional chamado ALE ( adicional de local de exercício), que não recebemos quando nos aposentamos, nem quando ficamos doentes, portanto, sem aumento real no salário. Este engodo nós já vimos o ano passado, quando foi dado aumento de 20 e poucos % aos colegas policiais civis e militares, e aplicados da mesma forma para nós, Agentes Penitenciários, e além de tudo isso temos que agüentar malhação em folhetim. Era só o que faltava...

Aparecido Carlos Leandro

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